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Operação Unha e Carne amplia investigações e muda cenário político no Rio

Nova fase da investigação da Polícia Federal atinge mais um nome de peso e reforça a transformação do cenário político fluminense iniciada no fim de 2025.

Expresso Rio

Em menos de um ano, o cenário político do Estado do Rio de Janeiro sofreu uma mudança profunda. O que parecia ser uma sucessão política bem encaminhada passou a conviver com sucessivas fases da Operação Unha e Carne, investigação conduzida pela Polícia Federal que, ao longo dos últimos meses, alcançou políticos, empresários e agentes públicos considerados influentes no estado.

A sexta fase da operação, deflagrada nesta semana, acrescentou mais um capítulo a esse processo. Entre os alvos estão o ex-prefeito de Belford Roxo e presidente estadual do União Brasil, Márcio Canella, além do ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões em seis anos por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A Operação Unha e Carne começou no fim de 2025 investigando suspeitas de vazamento de informações sigilosas relacionadas a ações policiais.

Conforme novas provas foram sendo analisadas, a investigação avançou para outras frentes, incluindo suspeitas de obstrução das apurações, contratos públicos, fraudes administrativas e possíveis esquemas de lavagem de dinheiro.

Entre as fases anteriores, a operação teve como alvos o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, o ex-deputado conhecido como TH Joias, o deputado estadual Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio, todos em momentos distintos da investigação. As acusações e medidas cautelares variam conforme cada etapa e cada investigado possui situação processual própria.

A sucessão política que mudou de rumo

Antes do início das investigações, o ambiente político fluminense era marcado por articulações sobre a sucessão no comando do Estado.

Nos bastidores, diferentes movimentos indicavam uma possível reorganização da linha sucessória envolvendo cargos estratégicos da administração estadual e da Assembleia Legislativa.

Entretanto, o avanço das investigações alterou significativamente esse cenário.

Prisões preventivas, afastamentos e novas fases da operação modificaram alianças políticas, interromperam articulações e aumentaram o grau de incerteza em relação aos próximos movimentos da política estadual.

O que investiga a sexta fase

Segundo a Polícia Federal, a atual etapa concentra-se na apuração de um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do setor de combustíveis.

As investigações apontam que o grupo investigado teria utilizado postos de combustíveis para ocultar recursos de origem ilícita.

A PF também informou que foram determinadas medidas como busca e apreensão, sequestro de bens, bloqueio de valores e suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados. Os dados financeiros utilizados na investigação tiveram origem em Relatório de Inteligência Financeira do Coaf.

Embora novas fases tenham ampliado o número de investigados, cada caso segue sua tramitação individual perante o Poder Judiciário.

No sistema jurídico brasileiro, a instauração de investigação, o cumprimento de buscas ou mesmo prisões cautelares não representam condenação. A responsabilidade penal somente pode ser reconhecida após o devido processo legal, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Diversos investigados já divulgaram, em ocasiões anteriores, notas negando irregularidades e afirmando confiança na Justiça. Em outros casos, as defesas informaram que aguardam acesso integral aos autos antes de se manifestarem.

Especialistas avaliam que o material apreendido nas fases mais recentes poderá dar origem a novos desdobramentos, caso a Polícia Federal identifique outros elementos considerados relevantes para as investigações.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre novos alvos ou futuras fases da operação. Qualquer eventual ampliação dependerá da análise das provas reunidas, das manifestações do Ministério Público e das decisões do Supremo Tribunal Federal e demais órgãos competentes.

Enquanto isso, a Operação Unha e Carne segue produzindo impactos políticos relevantes no Estado do Rio de Janeiro, transformando um cenário que, há poucos meses, parecia estável em um ambiente marcado por incertezas e intensa movimentação nos bastidores do poder.

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