A menos de duas semanas do início oficial da campanha eleitoral, a segurança pública voltou ao centro das preocupações dos brasileiros, informa o portal Brasil 247. Um levantamento realizado pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg mostra que a criminalidade e o tráfico de drogas são hoje os principais problemas apontados pelo eleitorado, à frente de temas tradicionalmente prioritários, como saúde, educação e desemprego.
A pesquisa também revela que o combate à corrupção permanece entre as maiores demandas da população, enquanto a situação econômica, marcada pela inflação e pelo custo de vida, completa o grupo das três principais preocupações nacionais.
Os dados fazem parte do estudo Latam Pulse, que ouviu mais de cinco mil brasileiros e também mediu a percepção da população sobre os riscos políticos para os próximos seis meses.
Segurança pública domina a pauta do eleitor
No levantamento, cada entrevistado pôde indicar até três problemas considerados prioritários para o país. A criminalidade e o tráfico de drogas aparecem isolados na liderança, citados por 61,3% dos participantes.
Logo atrás surge a corrupção, mencionada por 57,5% dos entrevistados, consolidando-se como a segunda maior preocupação nacional.
A economia e a inflação ocupam a terceira posição, sendo apontadas por 22% dos brasileiros.
Embora continuem entre os temas relevantes para o eleitorado, saúde e educação aparecem atrás dos três principais assuntos, indicando uma mudança nas prioridades às vésperas do processo eleitoral.
Na outra ponta do ranking aparecem temas que mobilizam uma parcela bastante reduzida da população. A violência policial foi citada por apenas 3% dos entrevistados, enquanto infraestrutura de estradas, portos e aeroportos recebeu 0,6% das menções.
As mudanças nos valores tradicionais foram lembradas por apenas 0,5% dos participantes, e o controle da migração e das fronteiras não registrou nenhuma citação na pesquisa.
Além de identificar os principais problemas do país, o levantamento mediu a percepção dos brasileiros sobre o risco político para o próximo semestre.
O chamado Índice de Risco Político reúne indicadores relacionados à criminalidade, corrupção, estabilidade institucional e conflitos sociais, atribuindo notas em uma escala de zero a cem. Quanto maior a pontuação, maior é a percepção de instabilidade.
Entre os três eixos avaliados, o relacionado à criminalidade e à corrupção registrou a maior nota, alcançando 61 pontos.
O indicador de instabilidade institucional ficou em 36 pontos, enquanto o risco de conflitos sociais recebeu pontuação de 19.
Os resultados sugerem que, embora os brasileiros demonstrem preocupação com questões políticas e econômicas, os maiores temores continuam associados à segurança pública e aos casos de corrupção.
Fraudes e avanço do crime organizado preocupam eleitores
O estudo também investigou quais acontecimentos os brasileiros consideram mais prováveis para os próximos seis meses.
Quase metade dos entrevistados, 47%, acredita ser “muito provável” o surgimento de grandes esquemas de corrupção ou fraudes de grande repercussão.
Outro fator que desperta preocupação é a atuação das organizações criminosas. Para 36% dos participantes, é muito provável que ocorram novos ataques ou assassinatos ligados às facções criminosas.
Já 32% acreditam que haverá aumento dos casos de furtos e assaltos em todo o país.
No campo político, um em cada quatro entrevistados considera muito provável que o governo enfrente dificuldades para formar maioria no Congresso Nacional, cenário apontado por 25% dos participantes.
Cenários de crise institucional são vistos como improváveis
Apesar da preocupação com segurança e corrupção, a maioria dos brasileiros não acredita na ocorrência de rupturas institucionais de grande magnitude no curto prazo.
Segundo o levantamento, eventos como destituição do presidente da República, tentativas de golpe de Estado, greves gerais de grande alcance, paralisação de centros urbanos, bloqueios de vias de transporte e protestos violentos com depredação do patrimônio público concentram as maiores proporções de respostas nas categorias “pouco provável” e “nada provável”.