O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, uma das principais bandeiras defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições deste ano, ainda deverá esperar para avançar, informa o jornal O Globo. Embora o tema tenha sido mencionado durante , a avaliação predominante entre os participantes foi de que qualquer discussão mais aprofundada deve ficar para depois do pleito de outubro.
Segundo relatos de pessoas que participaram do encontro, realizado na residência do ministro Alexandre de Moraes, em Brasília, a pauta trabalhista apareceu apenas de forma secundária. O jantar, revelado pela colunista Bela Megale, do jornal O Globo, teve como foco principal promover a reaproximação entre Lula e Alcolumbre, que estavam sem dialogar desde a rejeição, pelo Senado, da indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo.
A reunião foi articulada por Alexandre de Moraes e pelo ministro Cristiano Zanin, ambos integrantes do STF, e buscou reduzir o desgaste político acumulado entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado.
Reaproximação institucional foi prioridade
De acordo com interlocutores, o clima do encontro foi considerado cordial e marcado pelo esforço de restabelecer canais de diálogo entre o Executivo e o Legislativo.
Nos bastidores, a avaliação é de que o jantar teve como principal objetivo “aparar as arestas” entre Lula e Alcolumbre, fortalecendo a interlocução institucional em um momento de intensa movimentação política e pré-eleitoral.
Apesar de a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo ter sido o principal fator de afastamento entre os dois líderes, esse episódio não foi discutido durante a reunião.
Segundo participantes, a indicação do ex-advogado-geral da União sequer entrou na pauta do jantar. A estratégia foi concentrar a conversa em temas gerais da conjuntura política e na retomada do relacionamento entre os dois chefes de Poder.
Escala 6×1 ficou em segundo plano
Embora o governo tenha transformado a discussão sobre o fim da escala 6×1 em uma das principais bandeiras do presidente Lula para a campanha eleitoral, o tema foi tratado apenas superficialmente durante o encontro.
Relatos indicam que houve entendimento entre os presentes de que não há ambiente político favorável para impulsionar uma mudança dessa magnitude durante o período eleitoral.
A proposta envolve alterações na jornada tradicional de seis dias consecutivos de trabalho para um dia de descanso, modelo adotado em diversos setores da economia. A discussão ganhou força nos últimos meses, mas ainda enfrenta forte resistência de entidades empresariais e de segmentos do setor produtivo, que apontam possíveis impactos sobre custos, produtividade e geração de empregos.
Diante desse cenário, os participantes do jantar avaliaram que qualquer avanço dependerá de um ambiente político menos polarizado e de maior espaço para negociação entre governo, Congresso e representantes do setor privado.
Mudança exigirá negociação política
O adiamento do debate reforça a percepção de que propostas de grande impacto econômico tendem a perder espaço durante o período eleitoral.
Embora acompanhe a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho, o governo ainda não conseguiu construir consenso em torno de uma proposta capaz de reunir apoio suficiente no Congresso Nacional.
Parlamentares reconhecem que o tema desperta interesse popular, mas ressaltam que eventuais mudanças na legislação trabalhista exigirão amplo debate com empresários, trabalhadores e especialistas antes de qualquer votação.
Nesse contexto, a avaliação predominante entre os participantes do jantar foi a de que a reconstrução do diálogo político entre Executivo e Legislativo deve preceder discussões mais sensíveis da agenda econômica e trabalhista, como a eventual revisão da escala 6×1.