A eleição presidencial de 2026 pode ser a primeira deste século sem mulheres em chapas competitivas. Desde 2002, ao menos uma candidata a presidente ou a vice integrou as duplas com partidos representados no Congresso e desempenho mínimo de 1% dos votos no primeiro turno.
Hoje, a única chapa formada por mulheres que alcança ao menos 1% das intenções de voto em pesquisas é a da Unidade Popular (UP), com Samara Martins para presidente e Raquel Bricio para vice. O partido, porém, não tem representantes na Câmara nem no Senado e fica fora do critério usado no levantamento.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, chegou a discutir a escolha de uma mulher para a vice, com o objetivo de reduzir sua rejeição entre eleitoras. Na quarta-feira (5), ele definiu o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como companheiro de chapa.
A ausência feminina nas candidaturas ocorre em um ano no qual o direito ao voto das mulheres voltou a ser alvo de questionamentos de figuras da direita. Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, fez declarações contra o voto feminino, em meio a investidas semelhantes no Brasil e nos Estados Unidos.
Chapas de 2022 e 2018 tiveram mulheres entre candidatas a presidente e vice
Em 2022, três mulheres estiveram em chapas consideradas competitivas. Simone Tebet concorreu à Presidência pelo MDB, ao lado de Mara Gabrilli, então no PSDB, e recebeu menos de 5% dos votos no primeiro turno. Tebet virou ministra do Planejamento no governo Lula e disputa o Senado por São Paulo pelo PSB.
Ana Paula Matos foi candidata a vice na chapa de Ciro Gomes, ambos pelo PDT, que alcançou 3% dos votos no primeiro turno de 2022. Quatro anos antes, Manuela d’Ávila (PCdoB) compôs a chapa de Fernando Haddad (PT), que chegou ao segundo turno e perdeu para Jair Bolsonaro (PL).
O pleito de 2018 teve o maior número de vices mulheres em chapas competitivas. Kátia Abreu disputou com Ciro Gomes e obteve 12,47% dos votos; Ana Amélia Lemos integrou a chapa de Geraldo Alckmin; e Suelene Balduino concorreu como vice de Cabo Daciolo. Marina Silva também foi candidata a presidente pela Rede e atingiu 1%.
Em 2014, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Luciana Genro (PSOL) lideraram chapas competitivas. Dilma venceu a reeleição, Marina teve 21,32% dos votos no primeiro turno e Luciana ficou abaixo de 2%. Em 2010, Dilma e Marina também disputaram a Presidência; antes delas, Heloísa Helena obteve 6,85% pelo PSOL em 2006, e Rita Camata foi vice de José Serra em 2002.