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Mostra marca 15 anos da morte da juíza Patrícia Acioli

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Mostra marca 15 anos da morte da juíza Patrícia Acioli

A memória da juíza Patrícia Acioli será lembrada nesta semana, no Rio de Janeiro, com três dias de programação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A 2ª Mostra Patrícia Acioli começou nesta segunda-feira (10) e segue até quarta-feira (12), reunindo debates, atividades culturais e reflexões sobre Justiça, direitos humanos, violência institucional e democracia.

Promovido pela Cátedra Patrícia Acioli, iniciativa do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, o evento é gratuito e aberto ao público. A programação começa às 10h e ocorre no campus da universidade, no Flamengo.

A mostra acontece na semana em que o assassinato da magistrada completa 15 anos. Patrícia Acioli foi morta com 21 tiros na porta de casa, em Niterói, na madrugada de 12 de agosto de 2011. O crime foi cometido por policiais militares e revelou uma articulação criminosa dentro do 7º BPM, em São Gonçalo.

Exposição imersiva e debates

Um dos principais destaques da programação é a exposição imersiva “Patrícia”, com curadoria de Bia Lessa. A instalação poderá ser visitada entre os dias 10 e 14 de agosto, na Sala dos Espelhos do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ.

Ao longo dos três dias da mostra, estudantes, pesquisadores, magistrados, profissionais do sistema de Justiça, artistas e outros convidados participam de atividades relacionadas à trajetória de Patrícia e aos temas que marcaram sua atuação profissional.

A proposta da Cátedra é utilizar a história da magistrada para estimular discussões sobre acesso à Justiça, direitos humanos, segurança pública, violência institucional, violência contra mulheres e defesa da democracia.

“A história de Patrícia atravessa o tempo e chega até nós como compromisso com a vida, com a justiça e com a memória. A Cátedra Patrícia Acioli nasceu e seguirá existindo para manter esse legado vivo”, afirma o coordenador do projeto, o antropólogo Luiz Eduardo Soares.

Para a professora da UFRJ Miriam Krenzinger, uma das responsáveis pela Cátedra, a trajetória da magistrada continua servindo como referência para diferentes setores da sociedade.

Segundo ela, a experiência de Patrícia ajuda a transformar a memória do crime em instrumento de reflexão sobre Justiça, direitos fundamentais e combate à violência institucional e às violências de gênero.

Cátedra foi criada em 2024

A Cátedra Patrícia Acioli foi criada em agosto de 2024 pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ. O projeto é coordenado por Luiz Eduardo Soares e busca manter a memória da magistrada e ampliar a discussão sobre Justiça, segurança pública, direitos humanos e democracia.

Entre as iniciativas desenvolvidas estão a produção de um documentário sobre a vida de Patrícia, com roteiro e direção do jornalista Humberto Nascimento, uma biografia e um Memorial Multimídia.

O memorial deverá reunir documentos, fotografias, vídeos e entrevistas relacionados à trajetória da juíza, que foi assassinada aos 47 anos.

A pesquisa dos projetos é realizada por Alvaro Ramos, Debora Guimarães e Jade Hodara.

Observatório do Feminicídio será lançado

Outro projeto que será apresentado durante a mostra é o Observatório do Feminicídio do Estado do Rio de Janeiro, desenvolvido pela Cátedra em parceria com o Governo do Estado.

A iniciativa pretende reunir e produzir informações sobre casos de feminicídio no estado. A intenção é ampliar o conhecimento sobre esse tipo de crime e contribuir para a formulação e o aperfeiçoamento de políticas públicas de prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres.

Além do observatório, a Cátedra mantém atividades culturais e educacionais relacionadas à preservação da memória de Patrícia Acioli e à discussão sobre a cultura democrática.

Assassinato completa 15 anos

O assassinato da magistrada ocorreu na madrugada de 12 de agosto de 2011, quando Patrícia chegava à sua residência, em Niterói. Ela foi surpreendida por criminosos e atingida por 21 disparos.

Na época, Patrícia atuava em São Gonçalo e havia ganhado notoriedade por decisões envolvendo policiais suspeitos de crimes, além de investigações relacionadas a milícias, grupos de extermínio e corrupção policial.

A magistrada já havia recebido ameaças e, durante parte de sua carreira, contou com escolta do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, seu nome chegou a aparecer em uma lista de pessoas que seriam assassinadas.

Horas antes de sua morte, Patrícia havia determinado a prisão preventiva de policiais militares investigados pela morte de um jovem em São Gonçalo. A decisão foi apontada nas investigações como um dos elementos que antecederam a execução.

A apuração policial indicou ainda que o assassinato havia sido planejado semanas antes e que outras tentativas de matar a juíza teriam ocorrido antes da emboscada que terminou com sua morte.

Onze PMs foram condenados

As investigações apontaram a participação de policiais militares do 7º BPM de São Gonçalo na execução. Ao todo, 11 PMs foram condenados pelo assassinato e posteriormente expulsos da corporação.

Entre os condenados estava o então comandante do batalhão, tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, apontado como o responsável por ordenar o assassinato. Em 2014, ele recebeu uma pena de 36 anos de prisão.

Outro condenado foi o cabo Sérgio Costa Júnior, que confessou participação no crime e apresentou informações sobre o planejamento e a execução da morte da magistrada.

Somadas, as penas impostas aos 11 policiais ultrapassam 250 anos de prisão.

Em 2023, Cláudio Luiz de Oliveira obteve autorização judicial para cumprir a pena em prisão domiciliar.

Projeto quer incluir Patrícia no Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria

A memória da magistrada também é alvo de uma iniciativa no Congresso Nacional. Tramita na Câmara dos Deputados um projeto apresentado pelo deputado federal Tarcísio Motta (PSOL) para incluir o nome de Patrícia Acioli no Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria.

A proposta busca registrar oficialmente o nome da juíza entre personalidades consideradas relevantes para a história do país.

Quinze anos após sua execução, a trajetória de Patrícia Acioli continua sendo lembrada não apenas pela violência do crime, mas também pela atuação da magistrada em casos envolvendo violência policial e grupos criminosos.

A 2ª Mostra Patrícia Acioli pretende transformar essa memória em espaço de debate e reflexão sobre os desafios enfrentados pelo sistema de Justiça e pela sociedade brasileira.

Serviço

2ª Mostra Patrícia Acioli
Data: 10 a 12 de agosto de 2026
Horário: a partir das 10h
Local: UFRJ, campus do Flamengo
Entrada: gratuita e aberta ao público

Exposição “Patrícia”
Período: 10 a 14 de agosto
Local: Sala dos Espelhos do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ
Curadoria: Bia Lessa

Link para inscrição no evento: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScYuCDRqyVbWpOHdsQgd9dmMWzGwECOQ9KfGbv1ulAEp3FsSw/viewform

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