Os ataques do presidente argentino Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva são rejeitados pela maioria da população argentina. É o que aponta uma pesquisa da Gustavo Córdoba & Asociados realizada entre os dias 8 e 10 de agosto de 2026.
Segundo o levantamento, 67,6% dos argentinos desaprovam os ataques de Milei contra Lula, enquanto 25,5% aprovam a postura do presidente argentino. Outros 6,9% não souberam ou não responderam.
O resultado mostra uma rejeição de mais de duas vezes o tamanho do grupo que apoia a ofensiva de Milei contra o presidente brasileiro. A diferença entre os dois grupos é de 42,1 pontos percentuais.
A pesquisa foi realizada em meio à discussão sobre as relações entre Argentina e Brasil e incluiu um módulo específico sobre os dois países. O levantamento também procurou medir qual é a importância atribuída pelos argentinos ao Brasil e à economia brasileira.
O resultado nesse segundo quesito é ainda mais expressivo: 91,8% consideram o Brasil e sua economia importantes para a economia argentina. Apenas 7,5% afirmam que o Brasil não é importante, enquanto 0,7% não souberam responder.
Os números mostram que a percepção da população argentina sobre a importância do Brasil para sua economia é amplamente majoritária, inclusive entre eleitores que apoiaram Milei.
Rejeição é maior entre mulheres
A desaprovação aos ataques de Milei contra Lula aparece tanto entre homens quanto entre mulheres, mas é significativamente maior entre o eleitorado feminino.
Entre as mulheres, 72,3% desaprovam os ataques, enquanto apenas 14,3% aprovam. Outros 13,4% não souberam responder.
Entre os homens, 67,6% desaprovam a postura de Milei e 25,5% aprovam, enquanto 6,9% não souberam responder.
O levantamento, portanto, registra uma rejeição particularmente elevada entre as mulheres argentinas, com uma diferença de 58 pontos percentuais entre desaprovação e aprovação.
Argentinos de 31 a 45 anos são os que mais rejeitam Milei contra Lula
A divisão por faixa etária também apresenta diferenças importantes.
Entre os argentinos de 31 a 45 anos, 73,1% desaprovam os ataques de Milei a Lula, o maior índice registrado pela pesquisa. Apenas 19,4% desse grupo aprovam a postura do presidente argentino.
Na faixa de mais de 60 anos, a desaprovação chega a 71,6%, contra 19,1% de aprovação.
Entre os argentinos de 46 a 60 anos, 62,5% desaprovam os ataques e 20,8% aprovam.
Já entre os mais jovens, de 16 a 30 anos, a desaprovação é de 44,4%, enquanto 33,3% aprovam. É a faixa etária em que a diferença entre os dois grupos é menor.
Mesmo nesse segmento, porém, a desaprovação permanece superior à aprovação.
Eleitores de diferentes campos políticos reconhecem peso do Brasil
A pesquisa também mostra que a importância atribuída ao Brasil ultrapassa as divisões políticas internas da Argentina.
Entre os eleitores de Javier Milei na primeira volta presidencial, 79,8% consideram o Brasil e sua economia importantes para a economia argentina. Apenas 19,3% avaliam que o país não é importante.
Entre os eleitores de Sergio Massa no segundo turno, o índice chega a 97,5%.
O levantamento também apresenta índices elevados entre outros grupos eleitorais. Entre os eleitores de Juan Schiaretti, 90,9% consideram o Brasil importante. Entre os eleitores de Myriam Bregman, o índice chega a 100%, assim como entre os de determinados partidos e grupos registrados na pesquisa.
No recorte por voto nas eleições legislativas nacionais de 2025, a percepção sobre a importância do Brasil também permanece majoritária entre os diferentes grupos.
Brasil é considerado importante por mais de 9 em cada 10 argentinos
Considerando a população argentina como um todo, o número de 91,8% dá a dimensão do peso atribuído ao Brasil.
O índice é de 85,1% entre os homens e 66,7% entre as mulheres, segundo os recortes apresentados na pesquisa. Por idade, a percepção de importância também aparece de forma majoritária: 84,6% entre argentinos de 16 a 30 anos, 88,3% entre 31 e 45 anos, 90,9% entre 46 e 60 anos e 90,9% entre aqueles com mais de 60 anos.
Apenas 7,5% da população afirma que o Brasil não é importante para a economia argentina, enquanto 0,7% não soube responder.
O levantamento evidencia, assim, que a relação econômica com o Brasil é vista como relevante por uma parcela muito ampla da população argentina.
Pesquisa ouviu 1.200 argentinos
A pesquisa da Gustavo Córdoba & Asociados ouviu 1.200 pessoas com 16 anos ou mais em todo o território argentino.
A coleta foi realizada pela internet, por meio de questionário estruturado, entre 8 e 10 de agosto de 2026. A amostra teve afixação proporcional e margem de erro de 2,83 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.