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Piloto morto em queda de helicóptero na Vista Chinesa é sepultado em São Gonçalo

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Piloto morto em queda de helicóptero na Vista Chinesa é sepultado em São Gonçalo

O piloto Alessandro Rocha, uma das quatro vítimas da queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa, no Alo da Boa Vista, foi sepultado na tarde desta segunda-feira (10), em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A cerimônia de despedida reuniu familiares, amigos e colegas da aviação no Memorial Pax, no Centro da cidade.

Alessandro era o piloto do Robinson R44, de prefixo PP-MFS, que caiu na manhã do último sábado (8) em uma área de mata íngreme da Floresta da Tijuca. Além dele, morreram três turistas colombianas da mesma família: Rocío Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofía Murillo, de 17.

A despedida começou às 14h, na capela 2 do Memorial Pax, e o sepultamento ocorreu por volta das 15h. Após homenagens de parentes e amigos, o caixão foi levado ao local do enterro sob aplausos e coberto com uma bandeira do Fluminense. Antes do sepultamento, familiares também cantaram um louvor.

Piloto é lembrado como profissional respeitado entre os colegas

Durante o velório, colegas da aviação destacaram a experiência de Alessandro, que também atuava como instrutor de voo. O piloto Ramisses Freitas contou que conhecia Rocha havia cerca de dez anos e que foi instruído por ele. Os dois também chegaram a voar juntos.

Segundo Ramisses, Alessandro era um profissional criterioso e uma pessoa muito ligada à família.

“Ele era uma pessoa extremamente profissional, um ser humano muito família, muito criterioso, uma pessoa amável, onde chegava contagiava”, lembrou.

Ramisses também destacou a experiência de Alessandro em operações internacionais. Segundo ele, o piloto chegou a participar da transferência de uma aeronave dos Estados Unidos para o Brasil.

Para o colega, a morte de Rocha representa uma perda tanto para a família quanto para a comunidade da aviação.

“Vai fazer muita falta para a família e também para a aviação, porque ele era muito querido no meio”, afirmou.

Amiga da família, Marilene Claro destacou a trajetória de Alessandro até se tornar piloto. Ela contou que ele cresceu em São Gonçalo, em uma família humilde, e recebeu o apoio da mãe, que era merendeira, e da irmã para realizar o sonho de trabalhar na aviação.

“Ele é uma dessas histórias de São Gonçalo. Um menino de família pobre, a mãe merendeira. A mãe e a irmã batalharam para que ele pudesse sonhar e ter o sonho de ser piloto”, contou.

Marilene afirmou que a formação profissional de Alessandro exigiu esforço de toda a família e destacou que ele chegou a fundar a própria escola.

“Hoje aqui, morre um pai de família, um filho, mas também alguém que é de São Gonçalo, que batalhou, que superou os desafios, as adversidades e realizou o sonho de ser piloto”, disse.

Segundo ela, Alessandro deixa também um legado para os filhos e era conhecido pelo jeito alegre e pela proximidade com familiares. “Ele amava os filhos e os sobrinhos e ele era a tradução de alegria”, afirmou.

Marilene também ressaltou a disposição do piloto em ajudar outras pessoas. “Aonde ele chegasse era uma alegria contagiante, era uma pessoa sempre preocupada com o próximo”, disse.

Filho diz que piloto comemorava novo trabalho

Filho mais velho de Alessandro, Sven Rocha dos Santos acompanhou os procedimentos no Instituto Médico-Legal (IML) após o acidente. Segundo ele, o pai havia ingressado havia pouco tempo na empresa responsável pela aeronave e estava feliz com a oportunidade.

“Ele estava lá havia pouco tempo e comemorava muito essa oportunidade”, afirmou Sven.

Alessandro era instrutor de voo havia mais de 20 anos. Segundo o filho, ele acumulava muitas horas de voo e era reconhecido pela seriedade no trabalho.

“Desde que me entendo por gente sou o filho do comandante Rocha. O instrutor ensina outras pessoas. Pessoas de referência passaram pelo meu pai, conseguiu encaminhar pessoas para empresas. Era um homem que não brincava, que era sério no trabalho”, contou.

Alessandro deixou três filhos: Sven, Maria, de 2 anos, e Benício, de apenas 3 meses.

Pai e filho anteciparam comemoração do Dia dos Pais

Sven contou ainda que ele e o pai anteciparam a comemoração do Dia dos Pais. Como não conseguiria passar o domingo (9) com Alessandro, os dois fizeram um churrasco em família na quinta-feira (6).

“Eu estaria em um evento e não conseguiria passar o Dia dos Pais com ele. Mas adiantamos para quinta-feira. Estava com a minha noiva, passamos no supermercado, compramos carne, linguiça, pão e franguinho e fizemos um churrasco em família junto, graças a Deus”, relatou.

No sábado (8), Sven estava almoçando quando recebeu uma ligação de um amigo sobre o acidente. Segundo ele, a forma como a notícia foi dada fez com que desconfiasse imediatamente de que o pai poderia estar entre as vítimas.

“Pela entonação da voz, eu achei esquisito e tinha uma televisão na frente e vi acidente de helicóptero e falei: ‘Meu pai morreu’”, contou.

Relembre o acidente

O helicóptero Robinson R44, de prefixo PP-MFS, fazia um voo panorâmico quando caiu em uma área de mata da Floresta da Tijuca, nas proximidades da Vista Chinesa, na manhã de sábado.

O Corpo de Bombeiros foi acionado às 11h11. Os destroços foram localizados em uma área íngreme e de difícil acesso pelo Grupamento de Operações Aéreas. Após a queda, a aeronave pegou fogo.

Além de Alessandro, morreram as colombianas Rocío Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofía Murillo, de 17. As três eram da mesma família.

As circunstâncias da queda são investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e pela Polícia Civil. A aeronave era operada pela empresa Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos (VRP).

Segundo a empresa, o helicóptero estava com a manutenção em dia e possuía as autorizações necessárias para operar. A companhia também afirmou que Alessandro tinha experiência e estava com as licenças válidas.

Uma câmera que registrava imagens da cabine foi recuperada intacta e entregue ao Cenipa. Até o momento, não há conclusão sobre o que provocou o acidente.

O corpo de Alessandro foi identificado e liberado para o sepultamento. Os corpos das três turistas colombianas permanecem no IML, no Centro do Rio, aguardando a conclusão dos procedimentos necessários para a identificação e liberação.

As conclusões sobre o acidente ainda dependem da conclusão das investigações conduzidas pelo Cenipa e pela Polícia Civil.

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