O brasileiro Jean Carlo Johnson, de 60 anos, foi condenado à revelia a 14 anos de prisão em uma colônia penitenciária de regime rigoroso por um tribunal da República Popular de Donetsk, segundo o Comitê de Investigação da Federação Russa. As autoridades russas também informaram nesta quarta-feira (12) que emitiram um mandado de busca internacional contra o brasileiro.
Johnson, que residia em Curitiba (PR), teria chegado à Ucrânia vindo da Polônia em junho de 2023. De acordo com a investigação russa, ele recebeu treinamento militar na Legião Internacional da Ucrânia e participou de operações de combate contra tropas russas.
Segundo o processo, em 2026 o brasileiro assinou um contrato com as Forças Armadas da Ucrânia e voltou a atuar diretamente no conflito. A acusação russa afirma que ele participou de ações que resultaram na morte de civis e na destruição de infraestrutura civil.
A investigação também afirma que Johnson recebeu aproximadamente R$ 123 mil como recompensa por sua atuação no conflito. De acordo com a Procuradoria-Geral da Rússia, ele também teria recebido uma condecoração das Forças Armadas da Ucrânia.
❗ Heróis ao nosso lado 🏅 Na Casa da Ucrânia, os soldados 🇧🇷 Jean Carlo Johnson e 🇨🇴 Luis Fernando Ortiz Rendon foram homenageados pela coragem e dedicação. Vieram não como visitantes, mas como defensores — símbolo da unidade e do espírito ucraniano 🇺🇦. pic.twitter.com/Xc5UVsBWJR
— Foreign Recruitment Center (@UAFRC) October 5, 2025
Brasileiros recrutados para lutar na Ucrânia
O caso de Johnson ocorre em meio a relatos sobre o recrutamento de estrangeiros para combater ao lado das forças ucranianas. Brasileiros são apresentados, em páginas nas redes sociais e em sites especializados, a oportunidades de ingresso nas forças de Kiev com promessas de salários em dólar, treinamento militar e diferentes funções dentro da estrutura de guerra.
O processo de recrutamento começa antes mesmo da chegada ao campo de batalha. Interessados são direcionados para formulários e contatos on-line e, posteriormente, passam a lidar com contratos e documentos em idiomas que muitas vezes não dominam.
Após a chegada à Ucrânia, a realidade relatada por alguns brasileiros e familiares pode ser muito diferente das expectativas criadas durante o recrutamento. Há relatos de dificuldades para deixar as forças militares, problemas com contratos, falta de informações e exposição direta aos combates.
Famílias relatam dificuldades após mortes no front
O drama também se estende às famílias de brasileiros que morreram depois de se alistar para combater na Ucrânia.
Parentes relatam situações em que a confirmação oficial da morte demora a chegar e em que documentos, certidões, baixa militar e eventuais compensações financeiras permanecem pendentes.
Para essas famílias, a morte no campo de batalha não representa necessariamente o fim da situação. Sem informações oficiais e sem a localização ou liberação dos corpos, familiares podem permanecer durante meses aguardando respostas das autoridades e das próprias forças militares.
O caso de Jean Carlo Johnson agora ganhou uma nova dimensão jurídica: condenado na ausência pela Justiça de Donetsk, ele passou a ser alvo de um mandado de busca internacional emitido pelas autoridades russas.