Dois hospitais, duas famílias e as consequências de episódios de violência ocorridos na Zona Norte do Rio. O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Alexandre Knoploch (PL), esteve nesta quinta-feira (13) com parentes do menino Lucas Afonso, de 6 anos, e da fonoaudióloga Aline de Siqueira Affonso, de 53 anos, que permanecem internados após serem feridos na quarta-feira (12).
Lucas está no Hospital Municipal Souza Aguiar. O menino foi atingido por um fragmento durante uma operação policial na Mangueira e acabou perdendo a visão do olho esquerdo. O parlamentar conversou com Jucimara, mãe da criança, e afirmou que a comissão acompanhará os desdobramentos do caso.
Dano irreversível
“Infelizmente, recebemos uma notícia muito difícil: o fragmento atingiu o olho esquerdo e Lucas perdeu a visão desse olho”, relatou Knoploch.
De acordo com o deputado, a Comissão de Direitos Humanos pretende acompanhar a família no registro da ocorrência, na realização da perícia e em outros procedimentos necessários para esclarecer as circunstâncias em que Lucas foi ferido.
“A Comissão de Direitos Humanos vai acompanhar a família, inclusive neste momento de registro da ocorrência, perícia e nos encaminhamentos necessários para entender que assistência poderá ser prestada”, afirmou.
Aline permanece em estado grave
Depois da visita ao Souza Aguiar, Knoploch seguiu para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde está internada Aline de Siqueira Affonso. A fonoaudióloga foi atingida por uma bala perdida quando estava dentro de um ônibus em Vicente de Carvalho, também na Zona Norte.
O disparo ocorreu durante um confronto entre policiais militares e criminosos armados. Segundo as informações repassadas ao parlamentar no hospital, o estado de Aline é grave e exige cuidados.
“Seu estado é grave e inspira muitos cuidados. Neste momento, pedimos a todos que orem por ela e por sua família. Segundo as informações que recebemos no hospital, até agora não existe prognóstico de tetraplegia ou paraplegia”, declarou Knoploch.
Comissão vai cobrar informações
Durante as visitas, o deputado afirmou ainda ter recebido relatos sobre um aumento no número de atendimentos hospitalares relacionados à violência. Knoploch disse que pretende procurar os órgãos responsáveis pela segurança pública para obter informações sobre os casos.
“Também ouvimos relatos preocupantes sobre um aumento expressivo no número de atendimentos relacionados à violência. Isso precisa ser apurado. Vamos buscar os órgãos responsáveis pela segurança pública para entender o que está acontecendo e cobrar respostas”, afirmou.
Segundo o deputado, a atuação da comissão incluirá o acompanhamento das vítimas e de seus familiares, além da busca por esclarecimentos junto às autoridades. “É para isso que a Comissão precisa estar nas ruas: acompanhando as vítimas, ouvindo suas famílias e buscando respostas. Direitos Humanos para humanos direitos”, concluiu.