A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anulou o título de Doutor Honoris Causa concedido ao ex-embaixador dos Estados Unidos Lincoln Gordon, que chefiou a representação diplomática no Brasil durante o golpe de 1964. O Conselho Universitário aprovou a revogação por unanimidade.

A decisão retira uma homenagem acadêmica a Gordon, embaixador amricano no país entre 1961 e 1966. Ele atuou como interlocutor de Washington durante a crise política que terminou com a deposição do presidente João Goulart, em abril de 1964.

Documentos oficiais dos Estados Unidos divulgados posteriormente registraram o acompanhamento da diplomacia norte-americana sobre as movimentações políticas e militares no Brasil naquele período. Os arquivos incluem registros ligados ao governo do então presidente Lyndon B. Johnson.

A UFRJ decidiu rever a honraria por causa da associação de Gordon com as articulações que antecederam e deram sustentação ao golpe. A medida integra a revisão de homenagens institucionais a personagens ligados à ditadura militar.

Operação Brother Sam previu apoio naval dos EUA aos golpistas

O envolvimento dos Estados Unidos incluiu a Operação Brother Sam. Em 1º de abril de 1964, o Estado-Maior Conjunto norte-americano determinou o envio de uma força naval ao Atlântico Sul para apoiar as tropas golpistas no Brasil.

A operação deslocou navios de combate em direção ao litoral brasileiro. A força não interveio diretamente porque o movimento contra João Goulart se consolidou rapidamente.

Os detalhes da Operação Brother Sam ficaram sob sigilo por mais de uma década. Em 1977, o jornalista Marcos Sá Corrêa revelou o caso em uma série de reportagens publicada no antigo Jornal do Brasil.

A anulação aprovada pelo Conselho Universitário retira formalmente o título de Gordon dos registros de homenagens da UFRJ.