O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, passou a defender que campanhas presidenciais não usem avatares de inteligência artificial que recriem imagem e voz de pessoas, como ocorreu em uma convenção do PL com Jair Bolsonaro. A discussão ganhou força após o PT acionar a Corte contra o uso de uma versão digital do ex-presidente. Com informações de O Globo.
A campanha de Flávio Bolsonaro exibiu o avatar de Jair Bolsonaro durante o evento partidário, quando o ex-presidente estava preso em casa, em Brasília. A ferramenta reproduziu a imagem e a voz de Bolsonaro por meio de deepfake, técnica capaz de simular pessoas em vídeos e áudios.
Integrantes do TSE afirmam que há maioria entre os ministros para proibir esse tipo de recurso nas campanhas. Nunes Marques teria sido um dos últimos integrantes do tribunal a aderir à posição favorável ao veto.
A pessoas próximas, o presidente do TSE argumentou que não há como prever se o efeito eleitoral de um avatar será positivo ou negativo. Por isso, considera mais adequado impedir o uso da ferramenta durante a disputa.
Possível multa à campanha de Flávio Bolsonaro divide avaliação no TSE
A eventual punição à campanha de Flávio Bolsonaro ainda gera dúvidas. Interlocutores do ministro sustentam que Nunes Marques pode considerar que o evento do PL ocorreu antes do início oficial das campanhas eleitorais, marcado para o dia 16 deste mês.
Pessoas próximas a Nunes Marques contestam a versão de que ele tenha mudado de posição ou sido convencido sobre o caso específico de Flávio Bolsonaro. Elas dizem que o ministro não havia se manifestado anteriormente sobre a ação que discute o uso da deepfake.
Os ministros do TSE tinham uma reunião prevista para esta quinta-feira (13) para discutir limites ao uso de inteligência artificial nas eleições, incluindo avatares produzidos com deepfake. O encontro acabou adiado.
Integrantes da Corte temem que Nunes Marques flexibilize a medida diante de pressões do grupo de Flávio Bolsonaro. A definição sobre a regra e uma eventual multa à campanha deve depender das próximas discussões do tribunal.