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Mercado prevê corte da taxa de juros para 14%

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Mercado prevê corte da taxa de juros para 14%

O mercado financeiro espera que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central corte a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta (5), levando os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano. 30 instituições consultadas pela Bloomberg projetaram o mesmo resultado, após sinais de desaceleração da inflação e da atividade econômica.

Os analistas também reduziram as apostas de que o corte desta semana encerrará o ciclo de queda dos juros. A perspectiva para as próximas reuniões, porém, divide o mercado, que vê a política fiscal como o principal obstáculo para novas reduções da taxa.

O Copom chega ao encontro sob pressão para tornar sua comunicação mais clara depois da reunião de junho. Economistas consideraram confusa a linguagem adotada pelo colegiado, que combinou simulações alternativas com um diagnóstico que levantou dúvidas sobre a decisão de reduzir a Selic.

O ex-diretor do Banco Central Tony Volpon, professor adjunto da Universidade Georgetown, afirmou esperar uma explicação mais direta. “Espero que eles tenham aprendido a lição da última reunião. Vamos ver como vão justificar a decisão”, disse. A partir deste encontro, o Banco Central passa a incorporar o primeiro trimestre de 2028 nas projeções de inflação.

Fiscal e juros internacionais podem limitar cortes da Selic

Volpon avalia que o Banco Central poderá manter os cortes se os próximos dados confirmarem perda de força da economia. Ele alertou que o impulso fiscal e de segue elevado, enquanto a atividade perde dinamismo. “Se tem toda essa lenha sendo jogada no fogo e a economia ainda está desacelerando, pode ser uma sinalização de que talvez a economia tenha um problema mais sério”, afirmou.

Para o economista, a reprecificação dos juros globais também pode dificultar as decisões do Copom. Ele cita a situação fiscal de países que não conseguiram retomar trajetórias mais sustentáveis após a pandemia, em meio à elevação das curvas de juros nos Estados Unidos e no Japão.

A economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, apontou o risco de fortalecimento do dólar caso o Federal Reserve eleve juros. Ela lembrou que, em 2024, a interrupção do alívio monetário nos Estados Unidos levou o câmbio a R$ 6,30. Ainda assim, não prevê pausa imediata e estima que a Selic chegará a 13,25% ao ano em dezembro, abaixo do consenso de 13,75%.

Vitória atribui parte da desaceleração esperada da atividade a um menor impulso fiscal no segundo semestre e após as eleições. Na avaliação dela, famílias e empresas endividadas têm limitado a expansão do , mesmo com subsídios e programas anunciados pelo governo. Ela projeta IPCA próximo de zero ou até negativo em agosto, influenciado pelo bônus de Itaipu na conta de energia.

O professor da FEA-USP Heron do Carmo destacou a queda de preços de alimentos, especialmente hortifrutigranjeiros, como fator de alívio recente. O IPCA acumulado em 12 meses até junho caiu para 4,64%, e o IPCA-15 em 12 meses até julho recuou para 4,52%, mas ambos permaneceram acima do teto de 4,5% da meta. Carmo vê risco de alta no próximo ano com um possível El Niño mais agressivo e com a demanda estimulada pelo setor fiscal.

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