Dar conta da rotina profissional, das responsabilidades da casa e dos desafios da maternidade já exige força de qualquer mulher. Mas, para mães atípicas, a caminhada costuma ser ainda mais intensa, marcada por renúncias, adaptações e um amor que transforma completamente a forma de enxergar a vida.
Na continuidade da série especial “Mães que inspiram: Histórias de força entre o trabalho, o lar e o amor incondicional”, a empreendedora, Tatiana Alves Soffiati Grain, de 38 anos, compartilhou uma trajetória marcada por descobertas, superação e entrega diária ao filho Arthur.
Mãe de uma criança atípica, Tatiana conta que a maternidade mudou não apenas sua rotina, mas também sua maneira de sentir, viver e compreender o mundo. Segundo ela, ser mãe foi um processo de transformação profunda, capaz de ensinar sobre amor além das expectativas.
“Na minha maternidade, é aprender a amar além dos planos e do que muita gente considera normal. É um amor que fortalece, transforma e muda tudo ao mesmo tempo, inclusive quem eu imaginava que eu era”, relatou.
Ela lembra que um dos momentos mais marcantes da sua trajetória aconteceu quando percebeu que a maternidade vivida seria diferente daquela que havia idealizado antes do nascimento do filho. Apesar do impacto inicial, afirma que foi justamente nesse momento que renasceu como mãe.
“Entender que o meu filho não seguiria o caminho esperado e, ainda assim, perceber que o caminho dele é único, lindo e cheio de significado, mudou completamente a forma como eu vejo a vida”, contou.
Entre terapias, cuidados constantes e a necessidade de estar presente na vida do filho, Tatiana precisou adaptar também sua carreira profissional. Atualmente, encontrou na revenda de produtos uma forma de conciliar a geração de renda com a maternidade atípica.
Ela explica que o equilíbrio perfeito entre trabalho e família nem sempre existe, mas aprendeu a lidar com prioridades. Há dias em que a profissão precisa esperar, porque o filho necessita mais da sua atenção. Em outros momentos, ela busca manter a produtividade e seguir trabalhando, tanto pela realização pessoal quanto pelas despesas que fazem parte da realidade de muitas famílias atípicas.
“A maternidade atípica ainda é invisível para muita gente. Nem todos entendem as ausências, as urgências e os silêncios que fazem parte da nossa rotina”, afirmou.
Foi justamente diante dessas dificuldades que ela decidiu buscar mais liberdade profissional para permanecer próxima do filho. Segundo Tatiana, trabalhar com vendas permitiu adaptar os horários à rotina de cuidados com Arthur, além de incentivar outras mulheres a praticarem o autocuidado mesmo em meio às dificuldades do cotidiano.
A experiência da maternidade também impactou diretamente sua postura profissional. Hoje, ela se considera uma mulher mais empática, resiliente e determinada.

“Aprendi a não desistir fácil. Tudo o que vivo com meu filho levo também para o meu trabalho. Hoje eu trabalho com propósito e com um motivo que vai muito além de mim”, disse.
Apesar da força demonstrada diariamente, Tatiana admite que a culpa ainda faz parte da vida de muitas mães, especialmente quando surge a sensação de não conseguir estar completamente presente em todas as áreas.
“Muitas vezes senti culpa por me dividir, por não conseguir dar 100% em tudo e até por tentar me priorizar às vezes. A culpa visita, insiste… mas já não mora mais aqui como antes”, revelou.
Com o passar do tempo, ela entendeu que também precisava cuidar de si mesma para conseguir cuidar melhor do filho. Para Tatiana, manter sua própria identidade além da maternidade foi essencial nesse processo.
Ao falar sobre Arthur, a emoção toma conta das palavras. Segundo ela, o filho representa sua maior motivação e sua maior transformação.
“Ele me ensina todos os dias sobre amor de verdade, sobre respeitar o tempo e enxergar beleza no que muita gente não consegue ver. É meu milagre diário, minha maior luta e o meu maior amor”, afirmou.
Para outras mães que enfrentam desafios semelhantes, Tatiana deixa uma mensagem de acolhimento e esperança. Ela reforça que, apesar das dificuldades, nenhuma mãe está sozinha em sua caminhada.
“A sua trajetória pode ser mais difícil, mas também é mais profunda e cheia de propósito. Confie no seu caminho e no seu filho. A força de uma mãe é muito maior do que ela imagina”, declarou.
Ao refletir sobre como gostaria de ser lembrada no futuro, Tatiana resume sua história em uma frase simples, mas carregada de significado: ser lembrada como uma mãe que nunca desistiu.
“Quero que meu filho saiba que lutei todos os dias e que amei profundamente do jeitinho que ele precisava”, finalizou.
Acompanhe mais tarde mais uma história da nossa série especial…
Essa é mais uma história da série especial “Mães que inspiram”, que celebra mulheres reais que transformam amor em força todos os dias.
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