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Keiko Fujimori nomeia como chanceler ex-funcionário das embaixada dos EUA crítico da China

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Keiko Fujimori nomeia como chanceler ex-funcionário das embaixada dos EUA crítico da China

A presidente do Peru, Keiko Fujimori, nomeou o advogado e ex-candidato presidencial Carlos Espá como novo ministro das Relações Exteriores. Conhecido por sua proximidade com Washington, Espá trabalhou durante 15 anos como diretor de comunicação da Embaixada dos Estados Unidos em Lima e assume a diplomacia peruana com um discurso duro contra a expansão da influência chinesa na América Latina.

A escolha ocorre poucos dias após o governo do presidente José María Balcázar, que deixa o cargo, confirmar a modernização do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre Peru e China, principal parceiro comercial do país.

Em suas primeiras declarações como chanceler, Espá afirmou que a prioridade da política externa será o combate ao crime organizado transnacional e a ampliação da cooperação internacional na área de segurança.

“A prioridade número um é a insegurança pública. Queremos a cooperação de outros países para combater extorsionadores e organizações criminosas transnacionais, incluindo o projeto Escudo das Américas”, declarou.

Carlos Espá es el canciller. Keiko se la juega por los gringos con roche. Recordando todo lo que dijo Espá sobre el gobierno Chino en campaña, no creo que estén contentos (los comparó con la Estrella de la muerte de Star Wars 😂) pic.twitter.com/ad9tfZiF1I

— Eduardo Franco Quispe Palacios (@EduardoFrancoX) July 27, 2026

Embora tenha evitado comentar diretamente a disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, Espá construiu sua campanha eleitoral com críticas contundentes à presença chinesa no Peru.

Entre seus principais alvos está a frota pesqueira chinesa que opera próxima ao limite das 200 milhas marítimas peruanas. Segundo ele, embarcações chinesas estariam explorando de forma predatória recursos como a lula-gigante (pota), prejudicando a economia nacional e desrespeitando a soberania do país.

“Nosso mar é o mar de Grau, não é o mar da China. As regras para defender nossa soberania são estabelecidas por nós, e não por um império que pretende nos transformar em uma colônia”, afirmou.

Espá também prometeu fortalecer a Marinha de Guerra do Peru e a Guarda Costeira para impedir o que chamou de “depredação do mar peruano pelo império chinês comunista”.

Segundo o novo chanceler, a chamada “frota pesqueira imperial” chinesa retira cerca de 500 mil toneladas métricas de pota por ano, sem gerar empregos ou pagar impostos ao Peru.

Além da pesca, Espá demonstrou preocupação com o avanço dos investimentos chineses em setores estratégicos. Ele criticou a possibilidade de empresas chinesas ampliarem sua presença na refinaria de Talara, lembrando que a China já controla o megaprojeto do porto de Chancay e possui forte participação na distribuição de energia elétrica em Lima.

“Recebemos investimentos de todos os países, desde que respeitem os direitos dos trabalhadores peruanos, preservem o mar de Grau e a Amazônia e respeitem a soberania nacional”, afirmou.

Apesar da retórica do novo ministro, o governo Fujimori enfrenta uma realidade econômica difícil de contornar. A China permanece como o maior destino das exportações minerais peruanas, especialmente de cobre, além de exercer papel central na infraestrutura logística do país após a inauguração do porto de Chancay, considerado um dos maiores investimentos chineses na América do Sul.

A nomeação de Espá sinaliza que o novo governo poderá buscar maior aproximação política com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar uma relação econômica cada vez mais dependente da China.

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