O Itamaraty negou os vistos de dois funcionários do governo dos Estados Unidos que pretendiam se reunir no Brasil com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão considerou o risco de uso político da missão durante o período eleitoral. Com informações do SBT News.
Riley Barnes e Samuel Samson, integrantes do Departamento de Estado dos EUA, detalharam à Embaixada dos Estados Unidos que buscavam o encontro com Flávio Bolsonaro. A representação diplomática comunicou essas justificativas ao governo brasileiro.
Os pedidos de visto receberam negativa na última sexta-feira (24). Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que avaliou o contexto eleitoral brasileiro e a possibilidade de instrumentalização política da viagem.
Integrantes do governo Lula avaliam que a comitiva apresentou uma agenda institucional em momento inoportuno. A leitura no Palácio do Planalto é que reuniões com autoridades brasileiras poderiam dar aparência de legitimidade a uma iniciativa voltada a questionar o sistema eleitoral do país.
O governo brasileiro também estranhou a ausência de comunicação política de alto nível antes do envio dos pedidos de visto e da programação da comitiva. A expectativa era que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, apresentasse oficialmente os objetivos da missão.
Na avaliação de integrantes do Planalto, esse contato prévio deveria assegurar que a visita não buscaria interferir no processo eleitoral brasileiro. Os pedidos chegaram dias depois de Flávio Bolsonaro falar a embaixadores e diplomatas estrangeiros, em Brasília.
Na ocasião, o senador levantou dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. O Tribunal Superior Eleitoral desmentiu os questionamentos, e Flávio Bolsonaro se retratou posteriormente.
O governo brasileiro não descartou reavaliar um novo pedido de visto dos funcionários americanos. A tendência, porém, é que qualquer nova solicitação só entre em análise após a realização das eleições.