Pular para o conteúdo
Justiça

Investigada pela PF, Roberta Luchsinger acumula processos por dívidas em SP e MG

Por 3 min de leitura Expresso Rio
Expresso Rio
A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha: pedido de arquivamento de investigação / Foto: Reprodução
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto

A empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em um inquérito que apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência, também aparece como parte em diferentes ações judiciais relacionadas a cobranças e dívidas em São Paulo e Minas Gerais. Segundo levantamento exibido pelo Fantástico, da TV Globo, os processos envolvem aluguéis, mensalidades escolares, serviços prestados por profissionais autônomos, compras e contratos de prestação de serviços.

De acordo com a reportagem, algumas das ações registram dificuldades para localizar Roberta nos endereços informados à Justiça, além de tentativas de bloqueio de valores e localização de bens para pagamento das dívidas. Em dois processos citados pelo programa, ela teria informado não possuir condições financeiras para arcar com as despesas judiciais. Parte das ações já teria sido arquivada ou encerrada, conforme informações encaminhadas pela própria empresária à emissora.

Roberta também é investigada pela Polícia Federal em uma apuração que analisa suas relações com Marco Aurélio Ribeiro, citado na investigação, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Antônio Carlos Antunes, conhecido como Careca do INSS. A existência de investigação, por si só, não representa conclusão de responsabilidade criminal. Em declarações anteriores mencionadas pela reportagem, Roberta negou ter realizado pagamentos a Marco Aurélio Ribeiro e afirmou manter uma relação de amizade com Lulinha, com quem teria discutido possibilidades de negócios fora do setor público.

Entre os episódios apresentados pelo Fantástico está uma operação envolvendo um projeto de documentário sobre o designer de automóveis Horacio Pagani. Segundo a reportagem, Roberta e uma sócia buscaram financiamento para a produção e obtiveram um empréstimo de aproximadamente US$ 300 mil. Uma propriedade rural em Minas Gerais teria sido apresentada como garantia da operação. Após o investimento estrangeiro esperado não se concretizar e as parcelas deixarem de ser pagas, o credor conseguiu judicialmente a posse da fazenda, avaliada em cerca de R$ 8 milhões.

Outras cobranças mencionadas envolvem serviços de tapeçaria, mensalidades escolares, compra de roupas, contrato de marketing político e ações trabalhistas. Em um dos casos, um tapeceiro cobrou judicialmente valores referentes a um serviço contratado por R$ 61 mil. Durante a execução da dívida, foram oferecidas gravuras apresentadas como obras de Cândido Portinari; segundo o Fantástico, o Projeto Portinari informou que se tratavam de reproduções impressas.

A reportagem também relatou uma ação de despejo referente a um apartamento de alto padrão em São Paulo. Os proprietários recorreram à Justiça devido ao não pagamento de aluguel, condomínio e IPTU. A dívida teria alcançado aproximadamente R$ 500 mil e, conforme informado pelo programa, foi quitada em maio de 2024.

Procurada pelo Fantástico, Roberta Luchsinger optou por não conceder entrevista, mas enviou à produção os números dos processos citados e informou quais ações já haviam sido arquivadas. Sobre o episódio envolvendo a propriedade rural em Minas Gerais, afirmou que também teria sido enganada durante a operação e sustentou que os demais envolvidos tinham conhecimento dos riscos do negócio.

Até o momento, os fatos descritos no inquérito policial permanecem sob investigação e não significam, isoladamente, comprovação de crime ou responsabilidade dos citados.

Ouvir texto Pronto