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Rio de Janeiro

Dissidência do Povo de Israel é monitorada e pode dar origem a nova facção nos presídios do Rio

Por 3 min de leitura Expresso Rio
Expresso Rio
Imagem: Divulgação
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O sistema penitenciário do Rio de Janeiro passou a monitorar a atuação de um grupo formado por presos que teriam rompido com o Povo de Israel (PVI). A dissidência, que vem sendo chamada de Primeiro Comando do Golpe, teria começado a se organizar após a morte de Avelino Gonçalves Lima, apontado como uma das principais lideranças do PVI. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a movimentação é acompanhada pela Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen).

De acordo com a reportagem, um servidor da Seppen afirmou que pelo menos 60 detentos teriam sido identificados como integrantes do novo grupo, distribuídos por diferentes unidades prisionais. A eventual consolidação da dissidência vem sendo acompanhada pelo setor de inteligência da secretaria, diante de relatos de disputas internas com integrantes do PVI.

Parte das informações sobre os conflitos aparece em registros relacionados a uma vistoria do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro (Cperj) no Presídio Evaristo de Moraes, conhecido como Galpão da Quinta, em São Cristóvão. Durante a inspeção realizada em julho, presos relataram episódios de ameaças e agressões associados à disputa entre os grupos. Um interno afirmou aos conselheiros ter sofrido fraturas durante uma briga. A Seppen, por outro lado, negou os relatos de agressões, segundo a reportagem.

O cenário chamou ainda mais atenção devido à superlotação da unidade. Na ocasião da vistoria, o Presídio Evaristo de Moraes, com capacidade informada para 1.497 pessoas, abrigava 3.244 internos. O Conselho Penitenciário classificou a situação como preocupante e alertou para o risco de novos episódios de violência. A Secretaria de Polícia Penal informou que vinha adotando providências relacionadas à lotação e que as informações sobre a possível nova organização haviam sido encaminhadas aos setores de inteligência da Segurança Pública.

Outro episódio investigado ocorreu no Presídio Lemos de Brito, no Complexo de Gericinó. Segundo relatos atribuídos a um servidor penitenciário, presos apontados como integrantes da dissidência teriam provocado um incêndio em uma galeria no dia 23 de julho durante uma disputa pelo controle do espaço. Após o caso, seis detentos teriam sido isolados e submetidos a medidas disciplinares mais rigorosas.

O Povo de Israel surgiu dentro do próprio sistema prisional fluminense e é historicamente associado a presos considerados “neutros”, sem ligação declarada com organizações como Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Amigos dos Amigos (ADA). Com o surgimento da dissidência, as autoridades penitenciárias acompanham agora se o Primeiro Comando do Golpe efetivamente se consolidará como uma organização criminosa autônoma. Até o momento, a classificação do grupo como uma nova facção deve ser tratada como uma possibilidade sob monitoramento das autoridades, e não como uma condição definitivamente estabelecida.

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