O comércio varejista brasileiro voltou a apresentar resultado positivo em maio, interrompendo a retração registrada no mês anterior. Dados divulgados nesta quinta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), mostram que o volume de vendas cresceu 0,1% em relação a abril.
O desempenho representa uma recuperação após a queda de 1,6% observada entre março e abril. Apesar do avanço modesto, o resultado mantém a trajetória de crescimento do varejo ao longo de 2026, segundo o instituto.
Na comparação com o mesmo período do ano passado e nos acumulados do ano e dos últimos 12 meses, o setor também registrou expansão, reforçando um cenário de estabilidade no consumo das famílias.
Varejo acumula crescimento em 2026
Além da alta de 0,1% na comparação mensal, o comércio apresentou crescimento de 0,4% em relação a maio de 2025.
No acumulado do ano, o avanço chegou a 1,7%, enquanto o resultado dos últimos 12 meses aponta expansão de 1,4%.
A única comparação negativa divulgada pelo IBGE foi a média móvel trimestral, que registrou queda de 0,2%.
Para o gerente da Pesquisa Mensal de Comércio, Cristiano Santos, o desempenho confirma que o varejo tem conseguido manter uma trajetória positiva ao longo do ano.
“No ano de 2026, o varejo vem crescendo a maioria do tempo”, afirma o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. “Apenas abril apresentou resultado no campo negativo”.
Cinco segmentos impulsionaram o crescimento
Entre os oito setores analisados pelo IBGE, cinco apresentaram crescimento na passagem de abril para maio.
O maior avanço foi registrado pelo segmento de livros, jornais, revistas e papelaria, que cresceu 15,2%.
Também tiveram desempenho positivo:
- Tecidos, vestuário e calçados: 3,1%;
- Móveis e eletrodomésticos: 2,7%;
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 1,4%;
- Combustíveis e lubrificantes: 1,1%.
Os resultados positivos desses segmentos compensaram o desempenho negativo de outras atividades importantes do comércio.
Supermercados registram queda nas vendas
Três setores encerraram maio com retração no volume comercializado.
A principal queda foi observada em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que recuaram 1,5% em relação ao mês anterior.
Também registraram perdas:
- Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: -1,7%;
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -0,3%.
Como supermercados representam uma parcela significativa do varejo nacional, o desempenho do segmento costuma exercer influência relevante sobre o resultado geral da pesquisa.
Varejo ampliado tem resultado negativo
O levantamento do IBGE também acompanha o chamado varejo ampliado, indicador que inclui, além das atividades tradicionais do comércio, os setores de veículos, motos, peças e materiais de construção.
Nesse recorte, o desempenho foi menos favorável.
O volume de vendas caiu 0,2% em maio na comparação com abril.
Mesmo com o resultado negativo do indicador geral, dois segmentos apresentaram crescimento:
- Materiais de construção: alta de 2,1%;
- Veículos, motocicletas, partes e peças: avanço de 1,8%.
Na média móvel trimestral, o varejo ampliado registrou queda de 0,3%.
Já na comparação com maio de 2025, houve retração de 0,6%.
Apesar disso, o acumulado do ano permaneceu positivo, com crescimento de 1,3%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses mostrou alta de 0,1%.
Receita nominal continua em alta
Os dados do IBGE também apontam crescimento da receita nominal do comércio, indicador que considera o valor faturado sem descontar os efeitos da inflação.
No varejo restrito, a receita cresceu:
- 0,1% em relação a abril;
- 4,4% frente a maio de 2025;
- 4,2% no acumulado de 2026;
- 4,8% nos últimos 12 meses.
No varejo ampliado, a receita apresentou resultados positivos em todas as comparações:
- Alta de 0,4% entre abril e maio;
- Crescimento de 2,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior;
- Avanço de 3% no acumulado do ano;
- Expansão de 2,8% no acumulado de 12 meses.