A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que recebeu com preocupação a confirmação da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. Para a entidade, a medida compromete a competitividade da indústria nacional, aumenta a insegurança no comércio bilateral e pode aprofundar as perdas registradas nas exportações ao mercado norte-americano.
Segundo a CNI, os impactos das tarifas adotadas pelos Estados Unidos desde 2025 já são perceptíveis. No primeiro semestre deste ano, 20 dos 27 estados brasileiros registraram redução nas vendas para o mercado americano em comparação com o mesmo período do ano passado, indicando um cenário de desaceleração nas exportações.
Competitividade da indústria fica ainda mais pressionada
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a nova decisão tende a agravar um ambiente que já vinha sendo desfavorável para o setor produtivo brasileiro. De acordo com ele, o aumento das tarifas corrói ainda mais a competitividade da indústria e reforça a necessidade de buscar soluções que restabeleçam a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
A entidade destaca que o mercado americano é estratégico para diversos segmentos industriais brasileiros e alerta que a continuidade das barreiras comerciais pode gerar impactos diretos sobre investimentos, produção e geração de empregos ligados ao comércio exterior.
Estados já registram queda nas exportações para os EUA
Levantamento da CNI mostra que a maior parte das unidades da federação já sentiu os reflexos das tarifas em vigor. Das 27 unidades federativas, 20 apresentaram retração nas exportações destinadas aos Estados Unidos durante o primeiro semestre de 2026.
Na avaliação da entidade, a nova sobretaxa tende a ampliar esse movimento, dificultando ainda mais o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano e reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Indústria de Minas aponta risco de perda de mercado
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também demonstrou preocupação com a medida. A entidade avalia que a tarifa cria uma diferença significativa entre os produtos brasileiros e os de outros países que disputam os mesmos compradores nos Estados Unidos.
Segundo a Fiemg, o impacto poderá variar conforme os produtos atingidos, a classificação tarifária de cada mercadoria e o tratamento concedido aos concorrentes estrangeiros.
Entre as principais consequências apontadas estão a substituição de fornecedores brasileiros, pressão para redução de preços e margens de lucro, além da necessidade de renegociação de contratos, prazos e condições comerciais.
Empresas aguardam definição sobre produtos afetados
Para a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, Verônica Winter, será fundamental que haja clareza sobre quais produtos serão atingidos pela nova tarifa, os prazos para sua implementação e as regras aplicáveis aos contratos em andamento.
Na avaliação da especialista, essas definições serão decisivas para reduzir a insegurança das empresas exportadoras e permitir que o setor produtivo planeje suas operações diante das novas condições impostas pelo mercado norte-americano.