Os ferroviários da CPTM decidiram manter a greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade após o governo de Tarcísio de Freitas não apresentar a garantia formal de preservação dos empregos exigida pela categoria. A decisão foi tomada em assembleia na noite desta terça-feira (4).
“Baseada na ausência de resposta do governador, a categoria resolve manter o movimento grevista até que o governador venha e nos dê um documento oficial com o pleito da categoria”, afirmou um representante do sindicato ao anunciar o resultado da votação.
Os trabalhadores dizem que pretendem retornar ao serviço assim que o governo paulista formalizar, por escrito, o compromisso de não realizar demissões durante a transferência das linhas para a iniciativa privada. Uma nova assembleia foi marcada para esta quarta-feira (5), às 17h.
Tarcísio reagiu à mobilização chamando a paralisação de “baderna” e acusando o sindicato de instrumentalização política. O governador afirmou que o governo já se comprometeu a não demitir funcionários durante o período de realocação, mas a categoria considera insuficientes as declarações sem um documento oficial.
🚨 URGENTE: Tarcísio IGNORA pedido de trabalhadores da CPTM por manutenção dos empregos e greve continua!
Temos um governador em SP que vira as costas para os trabalhadores e a população! pic.twitter.com/GD5Ewk6Q1r
— Análise Política (@analise2025) August 5, 2026
A CPTM e o governo paulista também acusaram os ferroviários de prejudicar quase 1 milhão de passageiros. O sindicato rebate que a solução depende de Tarcísio. “Está na mão do governador. O que queremos é voltar ao trabalho e oferecer o transporte de qualidade que sempre oferecemos para a população”, afirmou a entidade.
As três linhas funcionaram parcialmente nesta terça. Segundo a CPTM, 67% do efetivo operacional previsto estava em atividade durante o pico da manhã, abaixo dos 80% determinados pelo Tribunal Regional do Trabalho. A decisão judicial prevê ainda 60% nos demais horários e multa diária de R$ 400 mil em caso de descumprimento.
A disputa ocorre após as linhas serem entregues à Trivia Trens e apresentarem sucessivas falhas, incluindo um incêndio e problemas elétricos. Diante do caos, o próprio governo Tarcísio determinou que a CPTM retomasse temporariamente a operação por até 90 dias, mas manteve o plano de devolvê-las à concessionária.