A líder do PT no Senado, Teresa Leitão, disse que o governo não desistiu de aprovar o fim da escala 6×1, modelo de seis dias de trabalho por um de folga, e espera avançar com a proposta na volta do recesso parlamentar.
Segundo a senadora, há um entendimento com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), para colocar o texto em votação assim que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviar a proposta à comissão.
“Nossa expectativa é de que Alcolumbre envie o projeto à CCJ na volta do recesso. Assim que chegar na Comissão o Otto coloca para votar. Iniciando a tramitação, tenho certeza de que o projeto será aprovado”, disse Teresa.
A Câmara já aprovou o texto, que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial, e garante dois dias de descanso por semana. Hoje, a carga semanal é de 44 horas. A proposta prevê uma transição gradual, com prazo de até 14 meses para implementação.
A PEC precisa passar por dois turnos de votação no Senado e receber ao menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores. O recesso parlamentar começa no próximo dia 18 e segue até o fim do mês, o que empurra a tramitação da escala 6×1 para agosto.
Teresa assumiu a liderança do governo após o afastamento de Jaques Wagner (PT-BA). A ligação de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, veio à tona na 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
A nova líder avalia que, nesta última semana de funcionamento do Congresso antes do recesso, o governo conseguirá votar apenas um dos projetos considerados prioritários: a Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do frete. A Câmara aprovou a medida em junho, mas o texto ainda não avançou no Senado e perde validade na próxima quinta-feira (16) se não houver votação.
A MP altera regras do piso mínimo do frete rodoviário e endurece a fiscalização do pagamento a transportadores. O governo articulou a medida após oscilações no preço dos combustíveis ligadas à guerra no Irã a partir de março, mas empresas que contratam transporte de mercadorias, como indústrias e produtores rurais, resistem ao texto.
O texto aprovado pelos deputados incluiu um “jabuti” que prevê anistia de multas aplicadas a caminhoneiros por manifestações em 2022, no contexto da tentativa de golpe de Estado promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Governistas tentarão retirar o trecho, mas a mudança pode obrigar a proposta a voltar para nova votação na Câmara.
Entidades de caminhoneiros autônomos convocaram uma mobilização para esta segunda-feira (13) a fim de pressionar Alcolumbre a pautar a MP. A categoria afirma que não bloqueará rodovias nem acessos a portos; a movimentação deve ocorrer de forma pontual no porto de Santos, no litoral de São Paulo, com entrada e saída de caminhões mantidas normalmente.