O Governo Federal autorizou nesta segunda-feira (11) o início das obras de modernização da BR-101/RJ, no trecho conhecido como Autopista Fluminense. O projeto prevê investimentos de R$ 10,18 bilhões em 322 quilômetros da rodovia, considerada um dos principais corredores logísticos e econômicos do estado do Rio de Janeiro.
As intervenções devem impactar diretamente municípios do interior fluminense, incluindo cidades estratégicas como Campos dos Goytacazes, Macaé e São João da Barra, regiões ligadas à cadeia do petróleo, indústria e transporte de cargas.
O trecho contemplado liga a divisa do Rio de Janeiro com o Espírito Santo até o entroncamento com a Ponte Rio-Niterói. A expectativa do Ministério dos Transportes é reduzir congestionamentos, ampliar a segurança viária e aumentar a capacidade de tráfego em áreas com grande circulação de veículos leves e caminhões.
O contrato de concessão terá duração de 22 anos e inclui obras de duplicação, implantação de faixas adicionais, construção de vias marginais, novos acessos, passarelas, pontos de ônibus e um Ponto de Parada e Descanso (PPD) voltado para caminhoneiros.
Durante a assinatura da ordem de serviço, o ministro dos Transportes, George Santoro, destacou a importância estratégica da BR-101 para a economia do estado e do país.
Segundo ele, o projeto busca destravar gargalos históricos de mobilidade em uma região que concentra milhões de moradores e intensa movimentação logística.
“Estamos destravando um gargalo em uma região onde vivem 4,5 milhões de pessoas e por onde circulam diariamente trabalhadores e cargas que movimentam o principal hub logístico, de petróleo e de energia do país”, afirmou.
O ministro também afirmou que a modernização pretende ampliar a segurança ao longo da rodovia federal.
“O cidadão que entra na rodovia sabe que chegará ao destino com segurança. E é isso que queremos ampliar cada vez mais no estado do Rio de Janeiro e em todo o país”, completou.
A BR-101 é considerada uma das principais vias de integração econômica do Rio de Janeiro. O corredor conecta municípios ligados ao setor de óleo e gás e facilita o acesso à Bacia de Campos, uma das maiores regiões produtoras de petróleo do Brasil.
Além da indústria energética, a rodovia também atende áreas portuárias, polos industriais e regiões turísticas importantes do estado, incluindo cidades da Região dos Lagos, como Cabo Frio e Armação dos Búzios.
O diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alex Azevedo, afirmou que o projeto representa um avanço relevante para a infraestrutura fluminense.
“É mais um investimento que, ao lado do Ministério dos Transportes e da ANTT, estamos viabilizando hoje para que, daqui a alguns meses, possamos voltar ao estado do Rio de Janeiro e acompanhar o avanço dessas intervenções previstas para os próximos anos”, declarou.
Desde 2008, a concessionária Arteris Fluminense administra o trecho norte da BR-101 no Rio de Janeiro, entre Niterói e Campos dos Goytacazes.
Atualmente, a rodovia recebe cerca de 83 mil veículos por dia, sendo aproximadamente 24% compostos por veículos comerciais. O trecho impacta diretamente 13 municípios fluminenses e atende cerca de 9,4 milhões de habitantes.
O ponto com maior fluxo é a Avenida do Contorno, em Niterói, onde circulam mais de 102 mil veículos diariamente. Já cidades como Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Macaé registram média de 15 mil veículos por dia.
Próximo à divisa com o Espírito Santo, o fluxo diário é estimado em cerca de seis mil veículos.
A modernização da BR-101/RJ faz parte da nova política de otimização de contratos de concessão rodoviária do Governo Federal. O modelo foi leiloado em novembro de 2025, quando a Arteris S.A. venceu o certame e assumiu novas obrigações de investimentos e ampliação da infraestrutura.
O diretor-superintendente da Arteris Fluminense, Helvécio Tamm de Lima Filho, afirmou que as obras devem gerar impacto direto na redução de acidentes e mortes na rodovia.
“Será uma transformação gigantesca para o Rio de Janeiro. O trabalho da Arteris será traduzido em mais segurança viária, redução de mortes e menos colisões frontais”, disse.
O novo modelo de concessão foi estruturado com base na Política Pública de Outorgas, criada pela Portaria nº 848/2023. Entre as mudanças previstas estão a antecipação de obras prioritárias, padronização de contratos e regras que vinculam reajustes tarifários à entrega efetiva das melhorias previstas.