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Exército dos EUA pede ideias “criativas e não convencionais” para punir o Irã, diz e-mail interno

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Exército dos EUA pede ideias “criativas e não convencionais” para punir o Irã, diz e-mail interno

O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM) iniciou uma busca interna por propostas “criativas e não convencionais” para aumentar a pressão militar sobre o Irã, em meio ao impasse da guerra iniciada pelo presidente Donald Trump e à dificuldade de forçar Teerã a aceitar um acordo nos termos de Washington.

Segundo s ouvidas pela CNN, um oficial da área de inteligência do CENTCOM enviou um e-mail a um amplo grupo de analistas militares solicitando novas ideias para lidar com o Irã.

“Estamos procurando maneiras novas, criativas e não convencionais de pressionar e punir o Irã”, escreveu o oficial.

Outra confirmou que o pedido partiu de um militar de alta patente na semana passada. A iniciativa foi considerada incomum dentro das Forças Armadas e reflete a percepção de que as opções tradicionais para atingir os objetivos da campanha militar estão se esgotando.

Em nota, o porta-voz do CENTCOM, capitão Timothy Hawkins, afirmou que o comando tem tradição em incentivar soluções inovadoras.

“O almirante Cooper, em particular, busca contribuições de integrantes da equipe, independentemente da patente, para alcançar o mais alto nível de desempenho operacional possível”, declarou.

Guerra sem solução militar clara

O pedido de sugestões ocorreu antes de Trump ameaçar lançar uma nova ofensiva contra o Irã. Os ataques, porém, foram suspensos no fim de semana após líderes regionais — especialmente o príncipe herdeiro da Arábia Saudita — pedirem ao presidente americano que evitasse uma escalada do conflito.

Nas últimas semanas, os Estados Unidos intensificaram bombardeios contra alvos iranianos com o objetivo de reduzir a capacidade militar de Teerã e forçá-lo a voltar à mesa de negociações. Apesar disso, ainda não há qualquer perspectiva de acordo.

s familiarizadas com o planejamento militar disseram que Trump avalia retomar ataques contra instalações nucleares iranianas remanescentes, incluindo a montanha conhecida como Pickaxe Mountain e outros locais onde haveria equipamentos ou material nuclear.

No entanto, militares reconhecem que mesmo as armas convencionais mais poderosas dos EUA dificilmente destruiriam essas instalações, construídas em grandes profundidades subterrâneas. Para eliminar completamente esses complexos, seria necessário empregar tropas em solo — cenário que Trump evita devido ao elevado risco político e militar.

Até o momento, 18 militares americanos morreram desde o início da campanha contra o Irã.

Bombardeios simbólicos e impasse estratégico

Segundo uma das s, Trump também considera uma nova rodada de ataques de forte impacto visual, semelhante a um “show de fogos de artifício”, contra alvos já atingidos anteriormente. O objetivo seria obter uma vitória simbólica que lhe permitisse encerrar a guerra sem alcançar uma de suas principais metas: eliminar o programa nuclear iraniano.

Especialistas e integrantes do governo, porém, avaliam que essa estratégia dificilmente resolveria o principal foco atual do conflito: a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, rota por onde passa grande parte do petróleo comercializado no mundo.

“No fim das contas, o presidente quer um acordo. Por isso continuará procurando maneiras de endurecer a pressão e, ao mesmo tempo, encontrar uma saída para a guerra”, afirmou uma das s.

Inteligência dos EUA vê limites da estratégia

Relatórios recentes da Agência Central de Inteligência (CIA) e da Agência de Inteligência de Defesa (DIA) concluíram que os bombardeios americanos dificilmente modificarão a posição negociadora do Irã.

O próprio chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Dan Caine, reconheceu publicamente que o poder aéreo tem limitações.

“O poder aéreo tem seus limites”, afirmou o militar durante audiência no Congresso.

Há meses, diferentes planos de escalada vêm sendo apresentados a Trump, incluindo uma campanha de bombardeios intensivos durante uma ou duas semanas para destruir a capacidade iraniana de lançar mísseis.

O presidente, porém, resiste à medida após ouvir preocupações sobre o estoque reduzido de interceptadores de defesa aérea dos EUA e sobre o risco de elevado número de vítimas civis caso sejam atacadas infraestruturas como pontes e usinas de dessalinização.

Outra alternativa seria enviar tropas americanas ao território iraniano, hipótese defendida por Trump em diversas ocasiões ao mencionar a ocupação da estratégica ilha de Kharg ou a retirada do urânio altamente enriquecido do país. A decisão, entretanto, entraria em choque com uma das principais promessas feitas por ele durante a campanha presidencial de 2024, quando afirmou que não enviaria americanos para “lutar e morrer em guerras estrangeiras sem fim”.

Enquanto isso, cresce dentro do governo americano a preocupação de que o conflito evolua para uma guerra prolongada de ataques e contra-ataques, mantendo o Estreito de Ormuz sob permanente tensão e custando mais vidas de militares dos Estados Unidos.

Durante uma reunião de gabinete na sexta-feira, Trump voltou a defender a continuidade da ofensiva.

“Acho que nós simplesmente queremos vencer. Vamos atingi-los com muita força e, em algum momento, eles vão dizer: ‘Não conseguimos suportar mais’”, declarou.

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