O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), está entre os alvos da , informa Mirelle Pinheiro em sua coluna no portal Metrópoles. A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos estimado em mais de R$ 308 milhões, que teria sido estruturado a partir de um acordo firmado entre o governo estadual e uma empresa do setor de telefonia.
A ofensiva foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e também alcança outros integrantes da alta administração pública mato-grossense. Entre os investigados estão secretários de Estado, um desembargador e um procurador do Estado, todos alvos de medidas cautelares determinadas pela Corte.
Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer se uma operação financeira relacionada à restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária foi utilizada para desviar recursos públicos por meio de uma complexa estrutura financeira destinada a ocultar a origem e o destino do dinheiro.
Esquema teria utilizado fundos e empresas para ocultar recursos
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que o acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e uma empresa de telefonia tenha servido como base para uma operação de desvio de verbas públicas.
Os investigadores apontam que os recursos teriam sido movimentados por meio de fundos de investimento organizados em cascata e de pessoas jurídicas interpostas, mecanismo que, segundo a corporação, teria como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro e ocultar seus verdadeiros beneficiários.
A utilização dessa estrutura financeira é uma das principais linhas de investigação da Operação Heritage, que busca identificar o fluxo dos recursos, a participação dos envolvidos e o eventual destino do patrimônio supostamente desviado.
A Polícia Federal apura a possível prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada. As investigações também poderão identificar outros delitos eventualmente relacionados aos fatos.
Mandados são cumpridos em quatro estados
Ao todo, a Operação Heritage cumpre 25 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal.
As diligências ocorrem simultaneamente em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, onde policiais federais realizam buscas em imóveis ligados aos investigados para apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam contribuir para o avanço das apurações.
Além das buscas, o STF autorizou diversas medidas cautelares consideradas estratégicas para preservar provas e impedir eventual ocultação de patrimônio durante o andamento das investigações.
Entre elas estão a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o bloqueio e a indisponibilidade de bens até o limite de R$ 316 milhões, o recolhimento de passaportes para impedir a saída do país e a proibição de contato entre os investigados.
As restrições têm como finalidade assegurar a efetividade das investigações e preservar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as suspeitas sejam confirmadas.
Ex-governador ainda não se manifestou
Até o momento, Mauro Mendes não comentou publicamente as investigações.
Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, o ex-governador foi procurado para apresentar sua versão sobre os fatos, mas ainda não havia se manifestado até a publicação da reportagem.