O Departamento de Estado dos EUA negou que a viagem de dois funcionários americanos ao Brasil tivesse objetivo de interferir nas eleições, após o Itamaraty barrar a entrada de Riley Barnes e Samuel Samson no país. Com informações do Uol.
O governo americano classificou a missão como uma “visita rotineira”. Em nota enviada ao UOL, um porta-voz afirmou que os dois viajariam a Brasília entre 27 e 30 de julho para encontros com autoridades governamentais, líderes religiosos e representantes da sociedade civil.
A agenda, segundo o Departamento de Estado, trataria de integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão. “Qualquer insinuação de que a visita [dos oficiais ao Brasil] seria uma artimanha para prejudicar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada”, declarou o órgão americano.
O governo brasileiro negou os vistos na sexta-feira (24). Barnes e Samson foram citados em reportagem do jornal “The Washington Post”, que afirmou que o governo de Donald Trump planejava enviá-los ao Brasil para questionar a segurança do sistema eleitoral brasileiro.
Veto ocorreu após suspeitas sobre agenda eleitoral
s brasileiras ouvidas pela colunista Janaína Figueiredo avaliaram que havia conexão entre a visita e movimentos recentes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para desacreditar a lisura do processo eleitoral no Brasil.
Na semana passada, Flávio criticou o sistema eleitoral brasileiro em reunião com embaixadores em Brasília. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, de forma errada, que as urnas eletrônicas usadas no Brasil têm a mesma origem das urnas da Smartmatic, empresa criada por venezuelanos nos EUA.
O Tribunal Superior Eleitoral rechaçou a declaração. Desde a adoção das urnas eletrônicas no país, em 1996, não houve comprovação de fraude, conclusão sustentada por auditorias do TSE, investigações do Ministério Público Eleitoral e estudos independentes.
As urnas eletrônicas são auditáveis, e esses procedimentos ocorrem durante a votação. A viagem de Barnes e Samson estava prevista para começar nesta segunda-feira (27), mas a negativa dos vistos impediu a entrada dos dois funcionários americanos para cumprir a agenda em Brasília.