A cúpula administrativa da Fifa declarou apoio integral ao presidente da entidade, Gianni Infantino, após uma reunião de emergência realizada nesta quarta-feira (5) em Rabat, no Marrocos. A manifestação ocorreu junto a um pedido de desculpas pelos erros cometidos na condução do plano de abrir parte das operações comerciais do futebol mundial a investidores privados.
Uma carta assinada por Infantino e pelo secretário-geral Mattias Grafström foi enviada aos membros do Conselho da Fifa e às federações nacionais. No documento, os dirigentes afirmam que não pretendiam fazer com que as associações e o Conselho se sentissem excluídos e reconhecem que a proposta deveria ter sido conduzida de outra maneira.
A entidade também admitiu falhas posteriores ao vazamento do projeto para a imprensa. Segundo o comunicado, um relatório sobre o episódio será preparado e apresentado na próxima reunião do Conselho. A direção afirmou ainda que seus processos, comunicações e interações internas precisam ser aprimorados.
Apesar do reconhecimento dos erros, a Fifa adotou um tom de enfrentamento ao tratar das críticas recebidas. A nota afirma que, depois da retirada do projeto, a entidade não tolerará ataques contra sua integridade, sua governança e seus processos e que tomará medidas para proteger o próprio nome e sua reputação.
FIFA leadership holds constructive and positive meeting in Rabat, Morocco.
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— FIFA (@FIFAcom) August 5, 2026
A crise começou com a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise, subsidiária que teria controle majoritário da entidade e poderia receber investimentos privados. A companhia concentraria operações comerciais de competições como a Copa do Mundo e buscaria levantar até US$ 4,2 bilhões.
O plano foi abandonado três dias depois de vir a público, após a Uefa ameaçar boicotar competições da Fifa e outras confederações questionarem a falta de consulta. Federações nacionais também retiraram o apoio à reeleição de Infantino, enquanto integrantes da própria administração criticaram a condução centralizada do projeto.
A declaração de apoio divulgada em Rabat parte da estrutura administrativa da Fifa e não representa um posicionamento das 211 associações filiadas. Infantino tenta conquistar um novo mandato em meio ao avanço de uma oposição que discute lançar um candidato para enfrentá-lo na próxima eleição da entidade.