A Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Enem e nos Vestibulares, da Câmara do Rio, realiza nesta quarta-feira (5), às 18h, sua primeira audiência pública sobre o tema. O encontro acontece no Salão Nobre do Palácio Pedro Ernesto e reúne representantes da prefeitura, de pré-vestibulares populares, coletivos e movimentos sociais ligados à educação, além de entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ).
Para o grupo, o custo do transporte é um dos fatores que pesam na ausência de estudantes às provas, especialmente entre quem mora em regiões periféricas. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que foi registrada uma abstenção de 27% no primeiro dia e de 30% no segundo dia do Enem 2025.
Frente parlamentar foi aprovada no fim de junho
A frente foi criada por unanimidade na Câmara após aprovação no dia 30 de junho, a partir de proposta da vereadora Maíra do MST (PT), com apoio de outros 17 parlamentares. A iniciativa integra a campanha “Brota no Vestibular, Tarifa Zero para Estudar” lançada em maio em parceria com movimentos sociais e entidades estudantis, que vinha coletando assinaturas para um documento a ser entregue ao prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) e ao presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD), pedindo a implementação do passe livre nos dias de prova.
“Tem gente que passa o ano inteiro estudando, fazendo cursinho, se preparando e, no dia da prova, vê seu futuro ameaçado por não ter o dinheiro da passagem. Estamos falando de jovens que moram em favelas, periferias e municípios afastados”, afirmou Maíra, à época da criação do grupo.
“Para estudantes da Baixada Fluminense, o custo com deslocamento pode chegar a R$ 30 por dia de prova. Quem mais falta no dia da prova é quem menos pode arcar com esses custos”, completou a parlamentar.
Levantamentos anteriores do Inep já apontavam o peso do problema: no Enem 2023, dos 117 mil inscritos no município do Rio, mais de 37 mil não compareceram às provas, uma abstenção de quase 32%. Os mesmos dados mostram que mais da metade dos inscritos pertencia a famílias com renda de até dois salários mínimos, e cerca de metade se declarava preta ou parda.