Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu recorrer aos diplomas para tentar encerrar a polêmica do dia sobre sua formação acadêmica. Na noite desta quarta-feira (12), o candidato à Presidência publicou três documentos e escreveu que fazia isso “para que não restem dúvidas” sobre os cursos que concluiu.
A papelada comprova três formações. O primeiro documento é o diploma de bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes, com conclusão do curso em fevereiro de 2006. O segundo certifica uma pós-graduação lato sensu de especialização em Políticas Públicas, concedida pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, ligado à Universidade Cândido Mendes, em conjunto com a Escola de Políticas Públicas e Governo.
O terceiro certificado é da Fundação Getulio Vargas. O documento registra a conclusão, em abril de 2015, de um MBA Executivo em Administração: Empreendedorismo e Desenvolvimento de Novos Negócios, de nível de especialização e com 432 horas-aula. Na publicação, Flávio também destacou que é advogado inscrito na OAB desde 2006 e enumerou cargos ocupados em seus quase 24 anos de vida pública.
Os três documentos esclarecem a formação que Flávio consegue comprovar. Também deixam evidente uma ausência: nenhum deles é da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), justamente a instituição que esteve no centro da controvérsia nesta quarta-feira.
Para que não restem dúvidas sobre minha formação acadêmica, conquistada à base de vários anos de muito estudo e dedicação, seguem meus diplomas:
– Bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes (Advogado inscrito na OAB desde 2006);
– Especialista em Políticas Públicas… pic.twitter.com/NjWTiwUX3B
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) August 13, 2026
Perfis oficiais no Senado e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro informavam que o presidenciável possuía uma pós-graduação em “Ciências Políticas”, atribuída à UFRJ no caso da Alerj. A universidade consultou seu sistema acadêmico e afirmou não encontrar qualquer registro de Flávio como aluno. Um professor que comandou o Departamento de Ciência Política também disse que ele nunca frequentou curso da área na instituição.
A campanha reconheceu a informação como um “erro ou equívoco” e sugeriu que ela poderia ter sido reproduzida a partir de páginas como a Wikipedia. O problema é que o dado não estava restrito a terceiros: uma biografia enviada pela própria assessoria de Flávio em 27 de julho também citava a suposta pós na UFRJ, e um perfil no LinkedIn mantido por sua equipe repetia a informação.
No post desta quarta, Flávio não explicou como a pós que nunca cursou foi parar nesses registros nem mencionou diretamente a UFRJ. Preferiu apresentar os três certificados verdadeiros e seguir adiante: depois da confusão curricular, ao menos agora ficou documentado onde ele efetivamente estudou.