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Bolsonarista da “emenda Master” aumenta patrimônio em quase 300%

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Bolsonarista da “emenda Master” aumenta patrimônio em quase 300%

O deputado federal Filipe Barros (PL-PR), candidato ao Senado pelo Paraná, declarou R$ 1.107.434,39 em bens à Justiça Eleitoral em 2026. É uma ruptura com todo o histórico eleitoral do bolsonarista: nas três disputas anteriores, seu patrimônio informado nunca havia chegado a R$ 300 mil.

Em 2016, quando foi eleito vereador de Londrina, Barros declarou R$ 282.649. Dois anos depois, ao conquistar uma cadeira de deputado federal, informou R$ 211.985,70. Em 2022, o total chegou a R$ 289.050,59. De 2016 a 2022, portanto, a diferença entre a primeira e a terceira declaração foi de apenas 2,3%. Agora, em quatro anos, o valor aumentou R$ 818.383,80, uma alta de 283,1%. O levantamento amplia uma reportagem publicada pelo Amado Mundo sobre o crescimento dos bens do parlamentar.

Quase todo o patrimônio atual está concentrado em um único bem: um lote no Royal Park Residence & Resort, condomínio fechado de Londrina, declarado por R$ 1 milhão. O terreno representa cerca de 90% dos bens informados em 2026. A comparação com a eleição anterior, porém, revela um detalhe importante. Em 2022, Barros já declarava “50% de lote nº 22, quadra 07” no mesmo Royal Park, atribuindo à participação o valor de R$ 272.500.

A ficha de 2026 não repete o número do lote, a quadra nem a participação de 50%. O registro agora diz apenas “lote no Royal Park Residence & Resort”, no valor de R$ 1 milhão. Com os dados disponíveis, não é possível determinar se se trata exatamente do mesmo terreno, se Barros adquiriu posteriormente a metade que não possuía ou quem era o outro proprietário. Também não constam na declaração a data e a forma de uma eventual transferência.

Documentos da Prefeitura de Londrina mostram que o Royal Park foi implantado sobre o lote 77-A da Gleba Cafezal e aprovado em 2002. Na documentação original do parcelamento, a área aparece vinculada à Teixeira & Holzmann Ltda. A informação ajuda a reconstruir a origem do loteamento, mas não permite estabelecer a cadeia posterior de proprietários do lote declarado por Barros.

Há registros de uma ligação anterior do parlamentar com o condomínio. Em um processo judicial de 2020, Barros aparecia domiciliado no Royal Park, mas em outro endereço: quadra 5, lote 12. O imóvel é diferente do lote 22 da quadra 7 que surgiria em sua declaração eleitoral de 2022. A pesquisa em registros públicos acessíveis não permitiu identificar quem detinha a outra metade daquele terreno nem quando e de que maneira a composição da propriedade pode ter mudado.

As cifras declaradas ao TSE, porém, não equivalem necessariamente ao valor atual de mercado dos bens. A própria Justiça Eleitoral registra que o candidato não é obrigado a apresentar valores atualizados nem detalhar as mutações patrimoniais entre uma eleição e outra. Por isso, os documentos permitem afirmar que o patrimônio declarado por Barros aumentou 283%, mas não demonstram, isoladamente, valorização imobiliária, compra da metade restante ou qualquer irregularidade.

Além do lote de R$ 1 milhão, Barros declarou dois saldos de consórcio de R$ 53.157,57 cada, R$ 1.000 de participação em seu escritório de advocacia e R$ 119,25 em cota de cooperativa de . O parlamentar foi responsável por uma proposta para elevar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Barros negou ter atuado a pedido de Daniel Vorcaro ou mantido contato com o banqueiro.

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