A Colômbia decidiu restringir a entrada de equipes internacionais de busca e resgate a quatro países cujos governos são aliados do presidente Abelardo de la Espriella: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador.
A medida foi anunciada pelo diretor da Unidade Nacional para a Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD), David Tamayo, durante uma entrevista coletiva no Palácio de San Carlos, em Bogotá.
Segundo Tamayo, os quatro países foram escolhidos porque podem fornecer equipes de busca e resgate reconhecidas pelo INSARAG (Grupo Consultivo Internacional de Operações de Busca e Resgate), sistema internacional responsável por estabelecer padrões e certificar esse tipo de operação.
“São reconhecidos por seus próprios países como equipes capacitadas para realizar esse trabalho dentro dos padrões internacionais”, afirmou o diretor da UNGRD.
O desastre já deixou pelo menos 250 mortos, e ainda não se sabe quantas pessoas permanecem vivas sob os escombros.
Tamayo explicou ainda que os grupos estrangeiros serão enviados principalmente para substituir temporariamente equipes colombianas que atuam há vários dias nas operações. A intenção, segundo ele, é evitar o esgotamento físico dos profissionais envolvidos nos trabalhos de resgate.
“Para antecipar o esgotamento dos nossos recursos, estamos começando a formalizar pedidos de apoio”, afirmou.
🔴Atención: El director de la UNGRD, David Tamayo, explicó que Colombia aceptará equipos de rescatistas de cuatro países que cumplen todos los requisitos internacionales para la búsqueda y rescate de las personas afectadas por el terremoto: Israel, Estados Unidos, El Salvador y… pic.twitter.com/U2D1yMMoAp
— EL TIEMPO (@ELTIEMPO) August 12, 2026
Petro critica restrição
A decisão provocou reação do ex-presidente e líder opositor Gustavo Petro, que classificou como um erro estabelecer critérios ideológicos para a ajuda internacional.
“É um erro colocar um filtro ideológico na ajuda internacional. A ajuda internacional é da humanidade e pela vida, ponto final”, escreveu Petro na rede social X.
As restrições não se aplicam a outras formas de assistência, como o envio de alimentos e medicamentos. O chanceler colombiano, Omar Bula, agradeceu, inclusive, as doações encaminhadas por El Salvador e México nas últimas horas.
A decisão de limitar as equipes de resgate a quatro países aliados de De la Espriella, contudo, abriu um debate sobre os critérios políticos adotados pelo novo governo colombiano justamente em uma situação de emergência, na qual a rapidez e a capacidade operacional das equipes internacionais podem ser determinantes.