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TJ de Minas gasta R$ 38,4 milhões em 179 Corollas para desembargadores

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TJ de Minas gasta R$ 38,4 milhões em 179 Corollas para desembargadores

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) gastou R$ 38,485 milhões na compra de 179 unidades do Corolla Cross XRX Hybrid 2026 para renovar sua frota institucional e de representação. Cada SUV custou R$ 215 mil aos cofres do tribunal, e os 148 desembargadores da Corte têm um veículo do modelo à disposição para seus deslocamentos funcionais. Com informações do UOL.

A aquisição voltou ao centro das atenções após o juiz Milton Lívio Lemos Salles, afastado depois de ser flagrado bebendo vinho e fumando durante uma audiência virtual, citar a frota ao fazer acusações de corrupção contra integrantes do Judiciário. Em vídeo divulgado após o episódio, ele classificou a compra dos 179 carros como “uma vergonha” e levantou suspeitas sobre a operação, sem apresentar provas das irregularidades alegadas.

O TJMG rejeita as acusações. A Corte afirma que as declarações do magistrado são “genéricas e dissociadas de elementos mínimos de provas” e sustenta que a renovação foi precedida de estudos técnicos. Segundo o tribunal, a frota anterior tinha veículos com mais de cinco anos de uso, desgaste acumulado e custos crescentes de manutenção.

A compra foi concluída em 2025. A Toyota venceu o pregão eletrônico e ofereceu os 179 carros por R$ 215 mil cada, abaixo do valor de referência de R$ 229.427,33 calculado pelo tribunal. O orçamento inicial da licitação chegava a aproximadamente R$ 41 milhões. O processo foi a segunda tentativa de renovar a frota naquele ano, depois que uma licitação anterior para a compra de sedãs híbridos não avançou.

Ao reformular a contratação, o TJMG decidiu trocar os sedãs por SUVs. Em estudo técnico, a Corte justificou a escolha mencionando a popularidade crescente desse tipo de veículo, a percepção de segurança, o espaço interno e os recursos tecnológicos. O Corolla Cross XRX Hybrid é uma das versões mais equipadas do modelo, com motorização híbrida flex, teto solar, painel digital e pacote eletrônico de assistência à condução.

O tribunal também associou a escolha de veículos híbridos às metas ambientais do Judiciário. Segundo a Corte, a tecnologia contribui para reduzir emissões e atende às características de um tribunal cujos integrantes realizam deslocamentos frequentes entre comarcas. O TJMG afirmou ainda que os carros substituídos poderão ser vendidos, com expectativa de recuperar parte de seu valor.

A utilização de carros oficiais por desembargadores é autorizada pelas normas do Conselho Nacional de Justiça. A Resolução 83 do CNJ permite veículos institucionais de uso exclusivo ou compartilhado para magistrados de segunda instância, mas determina que sejam empregados apenas no desempenho da função pública. O uso para fins particulares, fins de semana e feriados é proibido, salvo situações ligadas ao serviço.

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