O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu, nesta quarta-feira (5), a taxa básica de juros da economia brasileira de 14,25% para 14% ao ano. A decisão, unânime e amplamente esperada pelo mercado financeiro, representa o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual e consolida um dos ciclos mais graduais de flexibilização monetária desde a implantação do sistema de metas para a inflação, em 1999.
Apesar da nova redução, o Banco Central evitou indicar qual será o ritmo das próximas decisões. Em comunicado divulgado após a reunião, o colegiado afirmou que a continuidade do ciclo dependerá da evolução dos indicadores econômicos e do comportamento da inflação nos próximos meses.
Copom mantém discurso de cautela
O comunicado destacou que o Comitê seguirá conduzindo a política monetária com “serenidade e cautela”, diante de um cenário que ainda apresenta elevado grau de incerteza.
Segundo o Banco Central, embora a inflação tenha desacelerado e a atividade econômica apresente sinais de moderação, permanecem riscos importantes relacionados às expectativas inflacionárias, ao mercado de trabalho ainda aquecido e ao ambiente fiscal.
O Copom também reforçou que continuará acompanhando a evolução dos dados antes de definir a intensidade do ciclo de redução dos juros.
Comunicado ficou mais enxuto
A nota divulgada nesta reunião foi significativamente menor do que a publicada em junho.
Na ocasião anterior, a comunicação do Banco Central gerou interpretações divergentes entre economistas e investidores ao apresentar análises envolvendo horizontes mais longos para a convergência da inflação. Desta vez, o texto foi mais objetivo e concentrou-se na avaliação do cenário econômico atual, sem antecipar movimentos futuros.
O Banco Central reconheceu que os indicadores de inflação continuam apresentando trajetória de desaceleração.
O IPCA acumulado em 12 meses até junho ficou em 4,64%, enquanto o IPCA-15 de julho recuou para 4,52%. Apesar da melhora, ambos permanecem acima do teto da meta de inflação, fixada em 4,5%.
Nas projeções do próprio Copom, a inflação esperada caiu de 5,2% para 5,1% em 2026, mas aumentou de 3,7% para 3,8% em 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, a estimativa passou a ser de 3,2%, ainda acima do centro da meta de 3%.
O colegiado reiterou que vê maior risco de a inflação superar as projeções do que ficar abaixo delas, classificando o balanço de riscos como de “assimetria altista”.
Cenário fiscal e economia seguem no radar
Na avaliação do Banco Central, a economia brasileira começa a mostrar sinais de desaceleração após o crescimento observado no primeiro trimestre do ano.
Ainda assim, o Copom alertou que medidas fiscais e programas de estímulo ao consumo podem reduzir a eficácia da política monetária e dificultar o processo de convergência da inflação para a meta.
O cenário internacional também continua sendo acompanhado com atenção. O Comitê mencionou as incertezas relacionadas aos conflitos geopolíticos e às decisões de política monetária das principais economias, fatores que podem influenciar o comportamento dos mercados e dos preços.
A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 15 e 16 de setembro, quando o Banco Central voltará a avaliar o comportamento da inflação e da atividade econômica antes de decidir sobre novos ajustes na taxa Selic.