A Polícia Federal abriu investigação para apurar a entrada no país de bagagens sem fiscalização em um voo que transportava autoridades do Congresso Nacional. O caso envolve o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que estavam a bordo da aeronave.
De acordo com a Polícia Federal, um auditor da Receita Federal é suspeito de ter cometido os crimes de prevaricação e descaminho ao permitir a entrada de cinco volumes no Brasil sem a devida inspeção. As bagagens teriam passado sem verificação por raio-x na noite de 20 de abril de 2025.
O voo retornava da ilha de São Martinho, território conhecido por ser considerado um paraíso fiscal, o que aumentou a atenção das autoridades sobre o caso.
A aeronave utilizada pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”. Ele já havia sido citado anteriormente em investigações relacionadas a plataformas de apostas online associadas ao chamado “jogo do tigrinho”.
Em novembro de 2024, o empresário prestou depoimento à CPI das Bets, onde negou qualquer envolvimento direto com atividades ilegais.
Em nota enviada à imprensa, Hugo Motta afirmou que seguiu todos os protocolos exigidos pela legislação aduaneira e declarou que aguardará manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o caso.
Já o senador Ciro Nogueira foi procurado, mas não respondeu até a última atualização da reportagem.
Casos envolvendo entrada de mercadorias sem fiscalização são tratados com rigor pelas autoridades brasileiras, especialmente quando há suspeita de facilitação por agentes públicos. Os crimes investigados prevaricação e descaminho podem resultar em sanções administrativas e penais.
A investigação também ocorre em um momento de maior vigilância sobre voos privados internacionais e movimentações financeiras ligadas a apostas online, setor que tem sido alvo de CPIs e operações policiais recentes.
A Polícia Federal deve ouvir os envolvidos e aprofundar a análise sobre a origem e o conteúdo das bagagens. O caso também poderá ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República, devido ao envolvimento de autoridades com foro privilegiado.