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Asilo clandestino com 46 idosos é interditado no Rio após denúncias de maus-tratos e negligência

Expresso Rio
Imagem: Reprodução

Uma operação realizada nesta quarta-feira (10) interditou um asilo clandestino que abrigava 46 idosos no bairro Rio Comprido, Zona Norte do Rio de Janeiro. A ação foi conduzida pela Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa, em conjunto com a Prefeitura do Rio e a Polícia Civil, após denúncias feitas por familiares dos residentes.

Segundo os órgãos de fiscalização, os idosos viviam em condições consideradas precárias, em um ambiente superlotado, com falhas de higiene, ausência de estrutura adequada e indícios de negligência nos cuidados prestados aos moradores.

Fiscalização aponta irregularidades graves

Durante a vistoria, os agentes constataram que a instituição, identificada como Long Age e localizada na Rua Santa Alexandrina, operava sem autorização dos órgãos competentes para funcionar como Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI).

De acordo com os fiscais, foram encontradas diversas irregularidades, incluindo:

  • Armazenamento inadequado de medicamentos;
  • Remédios com prazo de validade vencido;
  • Cozinha sem sistema adequado de exaustão;
  • Quartos com condições insuficientes de higiene;
  • Falta de acompanhamento médico regular para parte dos residentes;
  • Ambiente considerado insalubre para permanência dos idosos.

As equipes também relataram que os moradores estavam em situação de vulnerabilidade e sem acesso às condições mínimas previstas pelo Estatuto da Pessoa Idosa.

Suspeita de negligência é investigada

Além das irregularidades estruturais, há relatos que serão apurados pelas autoridades sobre possíveis mortes de residentes associadas à falta de cuidados adequados dentro da instituição.

A Polícia Civil abriu investigação para apurar eventuais crimes relacionados a maus-tratos contra idosos, negligência e exercício irregular da atividade.

Os responsáveis pelo imóvel poderão responder judicialmente caso as irregularidades sejam confirmadas durante as investigações.

Idosos serão encaminhados para locais regularizados

Após a interdição total do estabelecimento, os 46 idosos passarão por avaliação dos órgãos de assistência social.

A previsão é que os residentes sejam encaminhados para instituições regularizadas ou reintegrados às suas famílias, sempre com acompanhamento da rede de proteção social.

Contraste entre a realidade encontrada e a divulgação na internet

Apesar do cenário identificado pela fiscalização, a instituição se apresentava na internet como uma casa de repouso geriátrica com mais de 50 anos de tradição.

Em seu material de divulgação, o local afirmava oferecer atendimento integral, assistência médica permanente e acompanhamento de enfermagem 24 horas por dia.

As informações encontradas pelas equipes de fiscalização, entretanto, divergem da estrutura anunciada pela instituição.

Fiscalização reforça alerta sobre instituições irregulares

O caso reacende o debate sobre a necessidade de fiscalização permanente em instituições destinadas ao acolhimento de idosos, especialmente diante do crescimento da demanda por casas de repouso e serviços de longa permanência.

Órgãos de proteção recomendam que familiares verifiquem se a instituição possui licenças de funcionamento, registros sanitários atualizados e autorização dos órgãos competentes antes de contratar esse tipo de serviço.

A investigação segue em andamento.

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