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Por que o Corinthians acertou ao dispensar Memphis, que queria ser dono do clube

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Por que o Corinthians acertou ao dispensar Memphis, que queria ser dono do clube

Nunca na história um clube ficou tão refém de um jogador como o Corinthians de Memphis Depay. O presidente do clube, Osmar Stábile, acertou ao desistir da renovação com o holandês, que neste ano fez apenas um gol em 14 jogos. Até o reserva Pedro Raul, que tem mais harmonizações faciais do que gols pelo Timão, marcou mais que ele em 2026.

A passagem de Memphis foi vitoriosa, com gols decisivos e três títulos em menos de dois anos, mas o Corinthians o tratou como se ele fosse maior que uma instituição com 115 anos de história e a maior torcida do Brasil. O preço foi uma dívida de R$ 42 milhões, além de um passe livre para o atacante mandar e desmandar. Às vezes, parecia acreditar que era um dos donos do clube.

Depay opinava sobre reforços, interferia no ambiente e criticava treinadores publicamente, passando a ter uma influência nos bastidores incompatível com a condição de jogador. Depois de uma derrota para o Fluminense, em abril de 2025, detonou em entrevista o trabalho do então técnico, Ramón Díaz. No dia seguinte, o argentino foi demitido.

Neste ano, o poder do holandês no CT já preocupava tanto que, durante a escolha de um substituto para Dorival Júnior, um dirigente do clube resumiu o perfil desejado com uma frase reveladora: “Não dá para trazer um treinador que vai chegar pedindo autógrafo para o Memphis”.

Ele também passou até a participar informalmente do mercado. O próprio executivo Marcelo Paz revelou que o atacante lhe entregou uma lista com quatro ou cinco jogadores que poderiam ser contratados. Dela saiu Zakaria Labyad, amigo de Memphis contratado pelo clube em fevereiro.

A revolta dos torcedores

A decisão de não renovar o contrato decepcionou boa parte da torcida corintiana porque, poucos dias antes, a permanência do jogador era dada como certa. Depay havia aceitado reduzir quase pela metade o salário, de cerca de R$ 3,5 milhões para R$ 1,9 milhão mensais, e concordou em diluir no novo contrato a dívida milionária com luvas e bonificações.

Aceitar R$ 1,9 milhão por mês parece uma enorme concessão em comparação com o salário anterior. Mas de que adiantaria se o Corinthians continua sem dinheiro para pagá-lo? A dívida seria empurrada para os próximos anos e renovar significaria acrescentar dezenas de milhões de reais em novos salários a uma conta que o clube não conseguiu pagar nem no primeiro contrato.

Quanto mais tempo ele permanecesse, maior se tornaria sua posição de credor diante de um clube quebrado. Se a diretoria continuasse atrasando salários, luvas, bônus ou parcelas da dívida antiga, Memphis poderia terminar o novo vínculo tendo ainda mais dinheiro a receber. Talvez essa fosse sua verdadeira intenção.

As regalias de Memphis no Corinthians

O atacante chegou ao país em setembro de 2024 cercado de expectativa e correspondeu inicialmente. Foi importante na arrancada que salvou o Corinthians do rebaixamento. O problema é que, com o passar do tempo, o futebol deixou de acompanhar o tamanho da estrutura montada ao redor do astro.

O contrato ajuda a entender o exagero. Somente os pagamentos fixos previstos no acordo poderiam chegar a cerca de R$ 82 milhões líquidos, e o custo com metas esportivas poderia levar a remuneração do jogador para perto de R$ 120 milhões. Além do dinheiro, Memphis recebeu um pacote de benefícios incomum até para os padrões milionários do futebol brasileiro.

O Corinthians bancou a hospedagem do holandês na melhor suíte do Rosewood São Paulo, um dos hotéis mais luxuosos do país, desembolsando aproximadamente R$ 250 mil mensais. Em 2025, até tentou convencê-lo, sem sucesso, a deixar o local diante do peso da despesa.

A lista de mordomias que o atacante ganhou impressiona: chef exclusivo, “gerente de relacionamento particular” (seria um nome chique para cafetão?), televisão de 136 polegadas, carro blindado, motorista 24 horas, agente de segurança, engraxate, roupa de cama italiana, travesseiros de penas e até um “violão exclusivo”. Uma estrutura digna de chefe de Estado para um jogador de um clube atolado em dívidas.

O futebol já não pagava a conta

Dentro de campo, Depay teve três fases bastante diferentes. Em 2024, jogou bem e foi decisivo na recuperação do time. Em 2025, seu rendimento oscilou e ficou abaixo da expectativa criada no ano anterior, embora tenha aparecido quando realmente importava. Na final da Copa do Brasil, contra o Vasco, marcou o gol do título. Seria injusto apagar esse feito.

Em 2026, porém, ele mostrou por que deveria ir embora. Lesões, longos períodos de recuperação e ausências sem explicação impediram uma sequência regular. Ao fim da passagem, Memphis deixa o Corinthians com 79 partidas, 20 gols e 15 assistências. São números respeitáveis, mas muito distantes de justificar a extravagância financeira construída ao redor dele.

Memphis foi importante para o Corinthians e seu ciclo acabou. O clube continuará existindo sem ele. Só Deus sabe até quando.

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