Pular para o conteúdo

Venezuela retoma relações consulares com Israel depois de 17 anos

venezuela-retoma-relacoes-consulares-com-israel-depois-de-17-anos
Venezuela retoma relações consulares com Israel depois de 17 anos

A Venezuela e Israel chegaram a um acordo para restabelecer as relações consulares, marcando uma guinada significativa na política externa venezuelana.

O anúncio conjunto, feito por ambos os países nesta terça-feira, ocorre enquanto a presidente interina Delcy Rodriguez conduz uma ampla reorientação diplomática desde o sequestro do líder Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos, em janeiro.

A medida inclui o degelo das relações com Israel, país com o qual Caracas havia rompido laços há 17 anos, em resposta aos ataques israelenses a Gaza. Sob o governo de Maduro, a Venezuela manteve-se firmemente oposicionista a Israel, aproximando-se do Irã, adversário regional do Estado judeu.

Em comunicado publicado no X, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Felix Plasencia Gonzalez, afirmou que a decisão de restaurar os vínculos consulares foi tomada após Israel enviar uma equipe ao país sul-americano na sequência dos terremotos gêmeos que devastaram a nação.

“Os governos da República Bolivariana da Venezuela e do Estado de Israel informam que acordaram em continuar a cooperação técnica bilateral decorrente dos esforços de emergência e recuperação após o duplo terremoto, bem como em estabelecer um mecanismo de coordenação para a prestação de serviços consulares a seus respectivos cidadãos residentes em ambos os países”, declarou o ministro.

Em outra publicação no X, a conta em espanhol do governo israelense destacou que a mudança indica que “ambos os governos reconhecem a importância do vínculo entre o Estado de Israel e a comunidade judaica residente na Venezuela, que constitui uma importante ponte histórica de amizade entre os dois países”.

Relações consulares normalmente envolvem a prestação de serviços conjuntos a cidadãos e viajantes. Embora não equivalham ao restabelecimento pleno dos laços diplomáticos, elas costumam sinalizar um aquecimento nas relações bilaterais.

Alinhamento crescente com Washington

Desde o sequestro de Maduro, Rodriguez tem se aproximado do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa aproximação com o aliado próximo de Washington acompanhou o distanciamento de Caracas em relação a Cuba, sua parceira de longa data.

Em julho, a Venezuela anunciou sua retirada do Tribunal Penal Internacional (TPI), alegando suposto viés contra o Sul Global. O movimento se alinha à postura antagonista do governo Trump em relação ao tribunal, que se comprometeu a “desativá-lo”.

Los Gobiernos de la República Bolivariana de Venezuela y del Estado de Israel informan que han acordado dar continuidad a la cooperación técnica bilateral derivada de los esfuerzos de emergencia y recuperación tras el doble terremoto, así como establecer un mecanismo de… pic.twitter.com/ZJUbNI77gJ

— Félix Plasencia González (@plasenciafelixr) August 11, 2026

Onda regional pró-Israel

Israel viu seus laços com vários países da América Latina sofrerem forte desgaste durante sua guerra em Gaza, mas a eleição de vários candidatos de extrema-direita na região reabriu espaço para uma nova onda de reaproximação.

Na semana passada, Chile e Honduras restabeleceram seus embaixadores em Israel, após ambos terem sido retirados em meio ao massacre em Gaza. O presidente argentino, Javier Milei, anunciou no ano passado que a embaixada do país seria transferida para Jerusalém, medida que espelha a decisão de Trump de relocar a embaixada dos EUA para a cidade em 2018 — Jerusalém é há muito tempo considerada a futura capital de um Estado palestino.

No mesmo sentido, ao assumir o cargo na semana passada, o novo presidente fascista da Colômbia, Abelardo de la Espriella, reconheceu a pretensão de soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, território sírio ocupado que as Nações Unidas consideram parte da Síria. A postura representa uma ruptura total com seu antecessor, o esquerdista Gustavo Petro, que estava entre os maiores críticos de Israel na região.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.