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Trump não descarta declarar emergência nacional para controlar eleições nos EUA

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Trump não descarta declarar emergência nacional para controlar eleições nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descartou a possibilidade de declarar uma emergência nacional de segurança para tentar ampliar o controle sobre as eleições legislativas de 2026.

A hipótese foi apresentada a Trump pelo apresentador Wayne Allyn Root, da emissora Real America’s Voice, durante uma entrevista. Root sugeriu que o presidente poderia recorrer a uma declaração de emergência caso o Senado não aprove o chamado “SAVE America Act”, projeto defendido por Trump para alterar regras eleitorais.

“Se eles nunca aprovarem o SAVE America Act, você tem o direito de declarar uma emergência nacional de segurança para as eleições”, afirmou Root.

Segundo ele, uma declaração de emergência permitiria implementar medidas como exigência de documento com foto, comprovação de cidadania para o registro eleitoral e restrições ao voto pelo correio.

Trump interrompeu o apresentador e respondeu de maneira evasiva, mas sem rejeitar a possibilidade.

“Deixe-me apenas dizer que coisas mais estranhas já aconteceram, certo? Vou deixar por isso mesmo”, afirmou o presidente.

Ainda não está claro se uma medida desse tipo teria validade jurídica. A CNN informou que procurou a Casa Branca para obter esclarecimentos sobre o que Trump quis dizer.

A declaração, porém, aumenta as preocupações sobre a possibilidade de o presidente tentar interferir nas eleições antes da votação, e não apenas contestar os resultados depois, como ocorreu em 2020, quando Trump fez alegações sem provas de fraude eleitoral e seus apoiadores promoveram a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

It’s happening. Trump just hinted that he might declare a national security emergency for elections.

If they can’t win, the elections, they will stop them. That’s how far MAGA will go. pic.twitter.com/GXEKzqsEHD

— Ed Krassenstein (@EdKrassen) August 11, 2026

Trump já defendeu maior controle federal

A possibilidade de uma intervenção federal mais ampla nas eleições não surgiu agora. Em fevereiro, Trump pediu que os republicanos “assumissem o controle da votação em pelo menos 15 lugares” e afirmou que o Partido Republicano deveria “nacionalizar a votação”.

A administração Trump também entrou em conflito com estados sobre o uso do voto pelo correio. O governo ameaçou impedir o Serviço Postal dos EUA de entregar cédulas enviadas pelo correio em estados que não cumprissem uma exigência de entrega das listas de eleitores.

Democratas utilizam o voto pelo correio em proporção maior do que republicanos, e Trump há anos associa essa modalidade, sem apresentar evidências que sustentem a alegação, a fraudes eleitorais generalizadas.

Tribunais federais bloquearam a ordem executiva relacionada ao Serviço Postal, e o governo recorreu à Suprema Corte.

Outra frente de atuação do governo envolve as eleições de 2020. A administração chegou a apreender cédulas eleitorais daquele pleito no condado de Fulton, na Geórgia, enquanto Trump intensificou as declarações sobre supostas irregularidades eleitorais.

Em julho, o presidente fez um pronunciamento em horário nobre sobre segurança eleitoral, no qual voltou a mencionar a China. O ex-advogado da Casa Branca Ty Cobb, que atuou durante o primeiro mandato de Trump, interpretou o discurso como uma possível preparação para uma declaração de emergência.

Limites constitucionais

Apesar das declarações e iniciativas, não está definido que Trump tenha autoridade para assumir unilateralmente o controle das eleições americanas.

A Constituição dos EUA atribui aos estados papel central na organização e realização dos pleitos, princípio que foi reiteradamente reconhecido pelos tribunais.

A invocação de uma emergência nacional relacionada à segurança poderia ampliar os poderes presidenciais em determinadas circunstâncias, mas especialistas questionam se isso seria suficiente para permitir uma intervenção federal nas eleições estaduais.

O debate ganha importância com a aproximação das eleições de meio de mandato de 2026, que definirão a composição da Câmara dos Representantes e de parte do Senado americano.

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