Jornalistas que viajaram no avião usado como chamariz durante uma operação para proteger Donald Trump de uma ameaça iraniana afirmam que não foram avisados do risco. Um deles acusa a Casa Branca de ter mentido sobre o que aconteceu.
O episódio ocorreu em 8 de julho, após a cúpula da Otan em Ancara, na Turquia. Trump embarcou diante das câmeras na aeronave presidencial, mas saiu sem ser visto pelo outro lado, entrou em um caminhão de abastecimento de alimentos e foi levado até um C-32A da Força Aérea. O outro avião decolou para o Reino Unido com jornalistas e integrantes da Casa Branca, mas sem o presidente.
Alex Brandon, fotojornalista da Associated Press que estava no voo, contou ao Jornal Nacional que percebeu algo incomum quando os profissionais receberam ordem para manter as janelas fechadas. Ao perguntar o motivo, ouviu que a orientação vinha do Serviço Secreto. Só depois soube que o avião havia sido usado para despistar uma possível ação contra Trump.
“Gosto de ser usado como isca? Não é a minha escolha favorita”, afirmou Brandon. O fotógrafo disse entender que sua profissão envolve situações de risco, mas a operação foi realizada sem que os jornalistas soubessem da ameaça que motivara a troca secreta de aeronaves.
JN ouve jornalistas que estavam em avião ‘abandonado’ por Trump: ‘Gosto de ser usado como isca? Não é a minha escolha favorita’.
A imprensa americana revelou que Donald Trump deixou o Air Force One e fez um voo secreto para escapar de uma ameaça de ataque do Irã contra o avião… pic.twitter.com/1CFd9TBeQB
— Jornal Nacional (@jornalnacional) August 12, 2026
Gram Slattery, da Reuters, também estava a bordo e foi mais duro ao avaliar a conduta do governo. Em entrevista ao JN, ele afirmou que o episódio produziu uma quebra de confiança entre a Presidência e a imprensa. “A Casa Branca mentiu para o público e os jornalistas sobre o que estava acontecendo”, disse.
A manobra foi revelada pelo Washington Post e posteriormente detalhada pelo New York Times. Segundo as apurações, a inteligência estadunidense havia detectado uma ameaça considerada crível de ataque iraniano contra Trump ou sua aeronave. Depois de chegar ao Reino Unido no avião menor, o presidente retornou sem ser visto à aeronave presidencial e apareceu diante das câmeras como se tivesse feito nela todo o trajeto.
A Casa Branca não detalhou a operação nem explicou por que os jornalistas e funcionários que permaneceram no avião não foram informados. Em manifestação divulgada após as revelações, o governo afirmou apenas que há inimigos dos Estados Unidos interessados em atingir Trump e que utiliza todos os recursos disponíveis para enfrentar ameaças contra o presidente.