A disparada de casos de sarampo nas Américas acendeu um alerta entre especialistas em saúde, que temem que a Copa do Mundo de 2026 se transforme em um evento de superdisseminação de doenças. O torneio, que será realizado em cidades do Canadá, México e Estados Unidos entre junho e julho, deve atrair milhões de turistas de diferentes partes do mundo.
Considerado a doença mais infecciosa existente, o sarampo lidera as preocupações. Autoridades também monitoram o risco de outras enfermidades, como dengue e zika, diante da grande circulação internacional de pessoas.
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, houve um aumento expressivo de casos recentes, sendo que 78% das infecções ocorreram em pessoas não vacinadas. A entidade chegou a emitir um alerta epidemiológico para toda a região.
Somente na primeira semana de 2026, foram registrados 1.031 novos casos de sarampo em sete países um crescimento 43 vezes maior em comparação com o mesmo período de 2025.
Os números chamam atenção:
- México: 740 casos
- Estados Unidos: 171 casos
- Canadá: 67 casos
Nos Estados Unidos, o Centers for Disease Control and Prevention confirmou 22 surtos apenas em 2026, totalizando 1.792 casos em 37 estados até abril.
O cenário já vinha se agravando desde 2025. Naquele ano, o México registrou mais de 6 mil casos e 24 mortes. O Canadá teve mais de 5 mil infecções e perdeu o status de país livre do sarampo. Já os Estados Unidos contabilizaram mais de 2 mil casos e três mortes.
Especialistas alertam que grandes eventos esportivos historicamente contribuem para a disseminação de doenças. Um exemplo citado é o surto ocorrido após os Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, em Vancouver, quando ao menos 82 casos de sarampo foram registrados.
O médico Brian Conway, diretor do Vancouver Infectious Diseases Centre, destacou que o sarampo é atualmente a maior preocupação. Segundo ele, a queda nas taxas de vacinação contribuiu diretamente para o ressurgimento da doença.
Diante do cenário, cientistas criaram um centro temporário de vigilância na América do Norte para monitorar possíveis surtos durante o evento. A estrutura funcionará em um laboratório de microbiologia adaptado.
Unidades de saúde já iniciaram preparativos intensivos. Em Nova York e Nova Jersey, hospitais realizam simulações há dois anos para lidar com possíveis emergências sanitárias durante a Copa.
O tradicional Bellevue Hospital, conhecido por sua atuação em casos críticos, mobilizou cerca de 500 profissionais em exercícios de contenção biológica. Já o sistema de saúde de cidades como Toronto e Vancouver também opera em estado de alerta.
O médico Gregory Sugalski, do sistema Hackensack Meridian Health, afirmou que equipes vêm sendo treinadas há anos para atender à demanda do evento, especialmente pela proximidade com o estádio MetLife, que sediará a final.
Especialistas reforçam que a vacinação é a ferramenta mais eficaz para evitar surtos. A vacina tríplice viral (MMR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, pode alcançar até 99% de eficácia.
A OPAS pediu que os países-sede intensifiquem campanhas de imunização com urgência, especialmente diante do aumento de casos e da circulação global prevista para a Copa.

Com milhões de pessoas viajando entre países e cidades, o risco de disseminação rápida preocupa autoridades internacionais. O alerta é claro: sem alta cobertura vacinal e monitoramento rigoroso, o evento esportivo pode enfrentar desafios sanitários significativos.