Um ciclone-bomba associado a uma frente fria deixou um motociclista morto e cinco pessoas feridas no Rio Grande do Sul, provocou ventos acima de 120 km/h e manteve alertas para áreas do Sul e do Sudeste. Em Santos, no litoral paulista, uma rajada de 109 km/h derrubou árvores e levou ao fechamento temporário do porto para navegação.
Ciclone-bomba é o nome dado a um ciclone extratropical que se intensifica muito rápido. O fenômeno é causado por uma queda acelerada de pressão atmosférica, que costuma aumentar a força dos ventos e a instabilidade. O contrasta entre massas de ar frio e quente entram em choque, favorecendo a formação e o fortalecimento do sistema.
“O ciclone bomba é um ciclone extratropical. Ele acontece quando uma conjunção de fatores naturais possibilita uma queda abrupta da pressão, gerando um intenso deslocamento do ar em poucos minutos. O termo ‘bomba’ vem dessa característica repentina, fruto da rápida queda de pressão, fato que determina qual será a potência da tormenta, gerando fortes rajadas de ventos acompanhadas de tempestades”, explicou o professor de Geografia Augusto Silva ao Guia do Estudante.
O fenômeno se forma em áreas de baixa pressão atmosférica e, ao cruzar o continente e se deslocar para o oceano, pode aumentar a agitação do mar, com ressaca e ondas maiores.
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), ainda não é possível afirmam que o ciclone-bomba foi provocado pelo El Niño. O instituto, no entanto, aponta que ele cria um padrão atmosférico mais favorável a eventos severos no Sul do Brasil.
Os estragos do ciclone-bomba
Um homem de 33 anos morreu em Montenegro, na região metropolitana de Porto Alegre, após uma árvore cair sobre sua motocicleta na rodovia ERS-124. Os feridos foram registrados em Dom Feliciano, com três casos, Osório e Novo Hamburgo, com um em cada município.
O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu avisos para ventos fortes nas costas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A passagem do sistema pelo oceano cria instabilidade sobre o continente, embora o centro do ciclone não atravesse diretamente os estados atingidos.
O nome ciclone-bomba descreve um ciclone extratropical que se intensifica rapidamente, com queda de ao menos 24 milibares na pressão atmosférica em 24 horas. O choque entre massas de ar frio e quente favorece esse processo e pode produzir rajadas intensas, tempestades, ressaca e ondas maiores no litoral.
Pedro Osório, a 290 quilômetros de Porto Alegre, registrou um tornado na tarde e na noite anteriores aos alertas. Casas tiveram destelhamentos, e a prefeitura ainda levantava os danos, sem vítimas registradas. A Defesa Civil atribuiu os estragos à combinação entre o ciclone e a frente fria que avançava pelo estado.
Porto Alegre registrou rajadas de 120,4 km/h e contabilizava, até as 7h30, sete quedas de árvores e 32 destelhamentos. Canoas teve ventos de 113 km/h, enquanto Parque Eldorado, Arroio Grande e Charqueadas também superaram 100 km/h. Em Pelotas, a chuva derrubou o muro do Presídio Regional, sem feridos, e suspendeu aulas municipais e atendimentos em unidades básicas de saúde.
No Rio de Janeiro, o governo estadual decretou ponto facultativo nas repartições a partir das 13h por causa das condições climáticas. A Defesa Civil enviou um “alerta extremo” aos moradores da capital, pedindo que antecipassem a volta para casa; escolas públicas, UERJ e UFRJ cancelaram atividades, e os parques municipais fecharam.
A Capitania dos Portos interrompeu a navegação no porto de Santos às 6h45, e as balsas para Vicente de Carvalho e Guarujá pararam por “impraticabilidade”, antes de retomarem o serviço às 7h25. As prefeituras de Bertioga, Itanhaém, Peruíbe e Ubatuba suspenderam aulas preventivamente, enquanto a Defesa Civil recomendou evitar o mar e transportes marítimos durante as tempestades. Após a passagem do ciclone pela costa, a frente fria deve derrubar as temperaturas, com risco de geada no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná.