A guerra entre facções do Cartel de Sinaloa transformou influenciadores em alvos e já deixou ao menos 10 criadores de conteúdo mortos no estado mexicano nos últimos dois anos. A vítima mais recente foi César Gastélum, de 25 anos, assassinado com tiros na cabeça durante uma transmissão ao vivo em Culiacán, na noite de terça-feira (4). Ele estava com dois amigos diante de um restaurante de fast-food quando homens em uma motocicleta abriram fogo. Com informações de g1.
Conhecido nas redes como Cesarín, Gastélum tinha mais de 500 mil seguidores no TikTok e publicava vídeos de humor, desafios, viagens, vida noturna, carros e estilo de vida. Centenas de pessoas acompanhavam a transmissão no momento do ataque, registrado pela câmera do próprio influenciador.
Até o crime, as autoridades não haviam informado a existência de ameaças contra Gastélum nem de investigações contra ele, ao contrário do que ocorreu com outros criadores de conteúdo assassinados na região. A Procuradoria de Sinaloa afirmou que analisa publicações do influenciador que faziam referência a uma facção criminosa, mas não detalhou quais conteúdos estão sob apuração.
A imprensa local relaciona a investigação a uma publicação recente sobre La Mayiza, facção do Cartel de Sinaloa leal a Ismael “El Mayo” Zambada. Gastélum também havia produzido conteúdo no túmulo de Leobardo Aispuro, conhecido como Gordo Peruci, influenciador assassinado em 2024.
Guerra entre facções já matou ao menos 10 influenciadores em Sinaloa
A morte de Gastélum amplia uma sequência de assassinatos de influenciadores registrada desde o início da disputa interna do Cartel de Sinaloa, há cerca de dois anos. Ao menos 10 criadores de conteúdo foram mortos nesse período. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que os governos federal e local vão investigar tanto os executores quanto os mandantes do ataque.
O clima de ameaça já havia ficado evidente em janeiro de 2025, quando panfletos foram lançados de um avião sobre Culiacán com os nomes de 25 influenciadores e músicos acusados de ligação com La Mayiza. Quatro deles já estavam mortos e apareciam nos folhetos acompanhados da palavra “ELIMINADO”. Outros dois foram assassinados posteriormente. Gastélum não constava da lista.
Para a professora Claudia Arruñada, especialista em comunicação da Universidade Iberoamericana, a aproximação entre o universo das redes sociais e o narcotráfico passa também pela exaltação do consumo, do luxo e da ascensão rápida. “Quando o modelo do sucesso deixa de ser construir uma carreira metódica, mas sim uma carreira meteórica, as redes sociais e o narcomundo acabam involuntariamente sendo aliados”, afirmou.
A relação entre influenciadores e organizações criminosas também entrou no radar financeiro das autoridades. Em julho de 2025, a Unidade de Inteligência Financeira do México divulgou uma lista de 64 criadores de conteúdo de Sinaloa investigados sob suspeita de usar perfis e negócios para lavagem de dinheiro. Gastélum não estava entre eles. A Meta afirmou não ter identificado violações de suas políticas nas contas mencionadas, enquanto o YouTube retirou do ar a conta do influenciador e músico El Makabélico, alvo de sanções do Tesouro dos Estados Unidos.