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Famílias cobram repatriação de 26 brasileiros presos após falsas ofertas de emprego na Ásia

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Famílias cobram repatriação de 26 brasileiros presos após falsas ofertas de emprego na Ásia

Vinte e seis brasileiros seguem presos no Laos após uma operação policial contra uma central de golpes virtuais, enquanto familiares cobram do governo federal apoio para a repatriação. Os jovens viajaram ao Sudeste Asiático atraídos por propostas de emprego com salários em dólar e agora aguardam a deportação, sem data definida para retornar ao Brasil. Com informações do Globo.

João, nome fictício de um barbeiro de 25 anos, avisou a mãe em 3 de julho que embarcaria de São Paulo para a Ásia. Ele disse ter recebido passagem paga e uma vaga com remuneração em dólar, mas não soube explicar a função porque o contrato teria uma “cláusula de confidencialidade”. Uma semana depois, ele e outros 25 brasileiros acabaram detidos em uma ação no Laos.

A polícia laosiana atuou contra um dos chamados “scam centers”, complexos usados para fraudes cibernéticas, como golpes afetivos e falsos investimentos. A ONG Exodus Road Brasil classificou os brasileiros como vítimas de tráfico humano. A mãe de João só soube onde o filho estava no dia 31, quando o Itamaraty confirmou o paradeiro dele.

Familiares de outros detidos relataram ofertas feitas por conhecidos ou por contatos nas redes sociais, com promessas de alto rendimento e facilidade para viajar. Alguns jovens mantinham comunicação limitada com parentes e diziam apenas que estavam bem ou cansados pelas longas jornadas de trabalho.

Detidos relatam falta de água e dormem no chão, dizem familiares

Camila, também nome fictício, enviou um áudio ao pai quando policiais entraram no complexo em Buengkhayong: “Se eu não falar mais, procura a embaixada”. O irmão dela, Carlos, havia viajado uma semana antes sob a promessa de trabalhar em um call center na Tailândia. Os dois foram detidos no Laos.

Segundo os parentes, brasileiros que conseguiram contato depois da prisão disseram que dormem no chão, sem cobertores e com as mesmas roupas usadas no dia da detenção. Eles também relataram refeições com arroz e repolho e pouca água. As famílias afirmam que os presos enfrentam dificuldades para compreender as autoridades locais.

Os 26 brasileiros serão deportados, mas precisam pagar multas pelo tempo de trabalho sem autorização no Laos e custear as passagens aéreas. A Embaixada do Brasil em Bangcoc orientou familiares sem recursos a solicitar à Defensoria Pública da União um atestado de hipossuficiência para pedir apoio à repatriação. A ajuda, porém, depende de disponibilidade orçamentária, e a legislação impede o governo de quitar multas individuais.

O Itamaraty afirmou que presta “a assistência consular cabível” por meio de contatos com as autoridades laosianas, orientação às famílias e emissão de documentos. Em alerta consular, o ministério aponta o Sudeste Asiático como principal foco do tráfico de brasileiros para exploração laboral em esquemas destinados à extorsão de terceiros e ao aliciamento de novas vítimas.

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