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Flávio finge que não deve nada e os empresários fingem acreditar

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Flávio finge que não deve nada e os empresários fingem acreditar

Flávio Bolsonaro fez, em reunião com empresários de São Caetano do Sul, na sexta-feira, o que qualquer figura impune da extrema direita brasileira pode fazer. Disse que teve a vida “virada do avesso”, mas que até agora está ileso.

Ele está certo até aqui, de que foi investigado e continua ileso. Leiam o que o candidato disse: “Não acharam nada porque sou filho do Bolsonaro, não sou filho do Lula. ‘Ah, Flávio, mas e se aparecer um vídeo seu daqui pra frente?’ Fica tranquilo, não fiz nada de errado, então não tem o que aparecer”.

E aí, no final da frase, começam os problemas. Flávio já teve de fato, como o pai e os irmãos, a vida virada do avesso. Polícia, o Ministério Público e a Justiça chegaram a informações, indícios e evidências sobre desmandos e crimes do senador. Acharam muita coisa.

Mas de fato até agora não deu em nada. Não deu em nada a história das rachadinhas, não evoluiu a história da lavagem de dinheiro na loja de chocolates, não há nenhuma condenação sobre as lavagens na compra de imóveis com dinheiro vivo. Nunca aconteceu nada com seus vínculos com milicianos. Então, Flávio sabe que os empresários sabem que ele já fez muita coisa errada.

O que aconteceu com ele e com toda a família, na área criminal que envolve corrupção, é que nada evolui contra os Bolsonaros. Tiveram a vida devassada, mas estão ‘limpos’ com a Justiça.

Não porque eles não tenham feito nada, mas porque tudo o que fizeram, com rolos que envolvam dinheiro, tranca em alguma instância do sistema. Como foram trancadas pelo Supremo as investigações sobre as rachadinhas, sob a alegação de que o Ministério Público fez barbeiragens ao juntar provas.

Os empresários que ouviram Flávio e o aplaudiram demoradamente, quando disse que subirá a rampa do Palácio do Planalto com o pai, sabem o que ele fez nos verões, nos outonos, nos invernos e nas primaveras passadas.

Sabem em detalhes. Mas fingem acreditar que ele fala a verdade. Fingem não saber direito o caso dos R$ 62 milhões que Vorcaro doou a Flávio. Fingem que o dinheiro foi usado na produção de um filme. Fingem não saber que Flávio emitia notas para empresas ligadas ao mafioso.

Fingem que foi um acaso a aparição de Flávio em foto, sem camisa e com correntão no pescoço, ao lado de Luiz Philippe Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, que fazia serviços sujos para Vorcaro e se matou na prisão.

Os empresários de São Caetano se dedicam ao mesmo fingimento da velha direita, e não só do fascismo, e continuam fingindo que Flávio é um liberal radical anticomunista, um homem que defende a pátria, a família e a fé cristã. E os jornalões publicam e fingem acreditar que os empresários acreditam nisso tudo.

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