Uma força-tarefa coordenada pela Delegacia de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco) deflagrou, nesta terça-feira (16), a Operação Gênesis, que tem como alvo integrantes da facção criminosa conhecida como Tropa do Cote, também chamada de Tropa do CF. A ação ocorre simultaneamente nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina e resultou, até o momento, na prisão de 16 pessoas.
- Investigações apontam domínio territorial e atuação armada
- Operação é desdobramento de ofensiva anterior contra a mesma organização
- Mandados foram cumpridos na Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina
- Integração entre estados se tornou peça-chave no combate ao crime organizado
- Próximos passos da investigação
Segundo as investigações, o grupo é apontado como responsável por uma série de crimes relacionados ao tráfico de drogas, homicídios e disputas territoriais em Salvador e em outras regiões da Bahia. Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos com base em elementos reunidos ao longo de meses de investigação sobre a estrutura e o funcionamento da organização criminosa.
A operação representa mais um passo na tentativa das forças de segurança de desarticular uma facção que, de acordo com os investigadores, manteve influência em áreas estratégicas mesmo após ações policiais anteriores.
Investigações apontam domínio territorial e atuação armada
De acordo com a apuração conduzida pela Draco, a Tropa do Cote teria consolidado sua presença em determinadas comunidades por meio do uso de armamento pesado, impondo controle territorial e promovendo confrontos frequentes com grupos rivais.
Os investigadores apontam que a disputa por áreas consideradas estratégicas para a comercialização de drogas teria contribuído para o aumento da violência em determinadas localidades. Parte dos homicídios atribuídos à facção estaria relacionada justamente a conflitos por pontos de venda e controle de territórios.
Segundo os registros analisados pela polícia, a atuação do grupo ultrapassava a simples comercialização de entorpecentes, envolvendo mecanismos de intimidação de moradores e tentativas de manutenção do poder local por meio da força.
Operação é desdobramento de ofensiva anterior contra a mesma organização
A Operação Gênesis surgiu a partir de informações obtidas após a Operação Saigon, realizada anteriormente contra integrantes da mesma facção. Embora lideranças importantes tenham sido presas naquela fase da investigação, a polícia identificou indícios de reorganização interna do grupo.
Conforme os relatórios produzidos durante a investigação, a organização teria desenvolvido mecanismos para manter suas atividades mesmo após a prisão de integrantes considerados estratégicos. A hipótese investigada é de que parte das decisões continuava sendo transmitida por lideranças encarceradas, com apoio de operadores espalhados por diferentes estados.
Esse modelo de funcionamento tem sido observado por forças de segurança em diversas organizações criminosas brasileiras, que utilizam redes externas para preservar suas atividades mesmo diante de ações repressivas.
Mandados foram cumpridos na Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina
A operação mobilizou equipes policiais em três estados, demonstrando o alcance territorial da investigação. Na Bahia, os trabalhos se concentraram em áreas ligadas à atuação histórica da facção.
No Rio de Janeiro, as diligências ocorreram nos municípios de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e Macaé, no Norte Fluminense. Os investigadores buscavam localizar suspeitos apontados como integrantes da rede de apoio da organização criminosa.
Em Santa Catarina, equipes também cumpriram mandados expedidos pela Justiça como parte da estratégia de enfraquecimento da estrutura logística e operacional do grupo.
A cooperação entre diferentes unidades policiais foi considerada essencial para o avanço das investigações e para a localização dos alvos identificados ao longo da apuração.
Integração entre estados se tornou peça-chave no combate ao crime organizado
Segundo a Polícia Civil, o compartilhamento de informações entre as forças de segurança da Bahia, do Rio de Janeiro e de Santa Catarina permitiu ampliar o alcance das investigações e identificar conexões que ultrapassavam as fronteiras estaduais.
A troca de dados de inteligência tem sido apontada por especialistas em segurança pública como uma das principais ferramentas no enfrentamento às organizações criminosas que atuam de forma descentralizada e mantêm integrantes em diferentes regiões do país.
Nos últimos anos, operações integradas passaram a ocupar papel central nas estratégias de combate ao crime organizado, especialmente em casos envolvendo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e facções com atuação interestadual.
Próximos passos da investigação
Com o cumprimento dos mandados, a expectativa dos investigadores é aprofundar a análise dos materiais apreendidos durante a operação. Celulares, documentos e equipamentos eletrônicos poderão auxiliar na identificação de novos integrantes, rotas de atuação e eventuais conexões da organização com outros grupos criminosos.
A Polícia Civil também pretende avançar na identificação da cadeia de comando da facção e na reconstrução de sua estrutura financeira e operacional.
Até a publicação desta matéria, as autoridades não haviam divulgado a identidade de todos os presos nem detalhes sobre possíveis novas fases da operação. O espaço permanece aberto para manifestações das defesas dos investigados.
A Operação Gênesis integra uma série de ações voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas que atuam de forma articulada em diferentes estados brasileiros, cenário que tem exigido cada vez mais integração entre os órgãos de segurança pública e compartilhamento de inteligência policial.



