A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) acionou o Tribunal de Contas da União para pedir uma auditoria urgente sobre o pagamento do Bolsa Família a pessoas em situação de rua. A bolsonarista afirma que o crescimento desse público entre os beneficiários pode indicar fraudes e questiona a dispensa da apresentação de comprovante de residência.
Segundo os dados citados por ela, o número de famílias em situação de rua atendidas pelo programa passou de cerca de 130 mil, em 2023, para 272.971 em abril de 2026, uma alta superior a 110%. O crescimento, porém, não comprova por si só qualquer fraude e coincide com políticas voltadas à inclusão de pessoas em extrema vulnerabilidade no Cadastro Único.
A regra atacada pela deputada procura eliminar uma barreira elementar: pessoas sem moradia fixa não têm como apresentar comprovante residencial. O Ministério do Desenvolvimento Social determina que a ausência do documento não impeça o cadastramento e orienta que o endereço de uma unidade de assistência social seja usado como referência. O registro continua exigindo formulários específicos.
Na representação, Zanatta pede que o ministério apresente em até 15 dias os mecanismos usados para identificar irregularidades. Ela também solicita reforço dos controles, responsabilização de envolvidos e devolução de recursos caso o TCU encontre prejuízo aos cofres públicos. Até agora, a parlamentar não apresentou prova de fraude cometida pelos beneficiários incluídos nos dados.
A ofensiva ocorre poucas semanas depois de Zanatta atacar a proposta que reduz a escala de trabalho 6×1. A deputada chamou a medida de “populismo barato” e afirmou que trabalhadores o próprio negócio”.
Após ser criticada pela declaração, a bolsonarista fez uma transmissão e chamou seus críticos de “escória”, “nojentos”, “vadios”, “vagabundos” e “vermes”. O episódio reforçou o histórico recente de hostilidade da parlsta sua defesa de jornadas exaustivas.
Zanatta afirma que não pretende negar proteção social às pessoas em situação de rua. Na prática, entretanto, sua representação transforma a ampliação do acesso de uma população sem endereço, renda estável ou moradia em suspeita de irregularidade, sem apontar até o momento casos concretos que sustentem a acusação.