Romeu Zema levou nesta segunda-feira (27) seu alinhamento com a extrema-direita mundial a um ponto de submissão explícita. Ao comentar a reação diplomática aos insultos feitos pelo argentino em território brasileiro, o candidato do Novo afirmou que o governo Lula deveria “colocar o rabo no meio das pernas” porque, segundo ele, o que Milei disse “procede”.
“Eu acho que o governo brasileiro deveria colocar o rabo no meio das pernas, porque o que ele falou procede”, disse Zema ao SBT News. Ele alegou que teria recorrido aos canais diplomáticos e evitado a “agressividade gratuita”, mas não contestou uma única acusação feita pelo argentino. Sua ressalva limitou-se à forma.
Poucas horas antes, o candidato havia chamado o discurso de Milei de “deselegante” e reconhecido que a participação do presidente argentino na convenção de Flávio Bolsonaro configurava uma tentativa de interferência no Brasil. A cautela durou pouco. À noite, o problema já não era a intervenção de um governante estrangeiro, mas apenas o palco escolhido para realizá-la.
Era só o que faltava! Agora o Zema quer o Brasil submisso não só ao Trump, mas ao Milei também!
“Eu acho que o governo brasileiro deveria colocar o rabo no meio das pernas (após os xingamentos de Milei)”.
É impressionante como a extrema-direita odeia o Brasil! pic.twitter.com/mwjAdiXFZy
— Análise Política (@analise2025) July 27, 2026
Milei participou de uma viagem privada ao Brasil, atacou Lula, insultou o ministro Alexandre de Moraes e interferiu abertamente na disputa presidencial ao discursar na convenção do PL. O Itamaraty chamou o embaixador Júlio Bitelli de volta a Brasília para consultas e convocou o representante argentino, Daniel Raimondi, para transmitir a repulsa do governo e cobrar explicações.
O endosso também completou um dia em que Zema chamou o Brasil de “republiqueta” e “república de bananas”, enquanto descrevia países europeus como “mais sérios e civilizados”. Milei deixou de ser apenas uma referência política e econômica para assumir o papel de juiz externo das instituições brasileiras, papel que o próprio candidato brasileiro tratou como legítimo.
A sequência levou o vira-latismo de Zema ao seu ponto mais explícito. Um presidente estrangeiro veio ao país, atacou autoridades brasileiras e provocou uma crise diplomática. Diante disso, o candidato que pretende governar o Brasil não cobrou respeito nem defendeu a soberania nacional: mandou o país baixar a cabeça e ficar calado.