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Moro quer Paraná como “Texas do Brasil” e chama Milei de “figura histórica”

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Moro quer Paraná como “Texas do Brasil” e chama Milei de “figura histórica”

O senador e pré-candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL) afirmou que pretende transformar o estado no “Texas do Brasil”, com redução de tributos para atrair investimentos. Em entrevista ao Veja em Foco, ele também relativizou os ataques feitos por Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a convenção nacional do PL e classificou o argentino como uma “figura histórica” para a América Latina.

Moro atribuiu as ofensas de Milei a um momento de “turbulência” e “emoção” da convenção que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência. “Talvez tenha havido ali algumas palavras que não foram as melhores, mas isso não diminui de maneira nenhuma a figura histórica, ao meu ver, para a Argentina e para a América Latina, que é o Javier Milei”, declarou. Na mesma resposta, apresentou o governo argentino como exemplo de ajuste econômico para o Brasil.

A comparação com o Texas, porém, reduz um sistema tributário complexo à ausência de imposto estadual sobre a renda das pessoas físicas. O tributo federal continua existindo, enquanto o estado cobra 6,25% sobre vendas e permite que governos locais acrescentem até dois pontos percentuais, levando a alíquota a 8,25%. Municípios, condados e distritos escolares também financiam serviços públicos com impostos sobre imóveis.

Esse arranjo pesa proporcionalmente mais sobre os pobres. Segundo o Instituto de Tributação e Política Econômica dos Estados Unidos, os 20% mais pobres do Texas destinam 12,8% da renda a tributos estaduais e locais. Entre o 1% mais rico, a parcela cai para 4,6%. O instituto classifica o sistema texano como o sétimo mais regressivo do país, principalmente pela dependência de impostos sobre consumo e propriedade.

“Nós queremos que o Paraná seja o Texas do Brasil.”

No VEJA em Foco desta terça-feira, 28 de julho, Sergio Moro criticou a atual gestão econômica do Brasil, avaliou o governo de Javier Milei na Argentina e comentou a relação política com o país latino.

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— VEJA (@VEJA) July 29, 2026

Texas e Paraná também ocupam escalas econômicas e institucionais muito diferentes. O estado estadunidense tinha 31,7 milhões de habitantes em 2025 e uma economia estimada em US$ 2,9 trilhões, impulsionada por petróleo, gás, indústria, tecnologia e comércio internacional. O Paraná tinha população estimada em 11,9 milhões e registrou PIB de R$ 670,9 bilhões em 2023, o quarto maior do Brasil, com forte presença dos serviços, da indústria e do agronegócio.

A autonomia tributária também não é a mesma. O Paraná não pode simplesmente eliminar o Imposto de Renda, que é de competência da União. Um governador pode atuar sobre tributos estaduais, conceder incentivos e rever despesas, mas precisaria explicar quais impostos pretende reduzir, quem receberia os benefícios e como compensaria a perda de arrecadação destinada a saúde, educação, segurança e infraestrutura. Moro não detalhou esses pontos ao lançar o slogan.

A realidade social texana tampouco cabe na imagem de paraíso econômico. Dados do Censo dos Estados Unidos apontam que 13,4% da população vive abaixo da linha de pobreza. Em 2024, 16,7% dos moradores não tinham cobertura de saúde, a maior taxa entre os estados estadunidenses; entre adultos de 19 a 64 anos, a proporção chegava a 21,6%. O salário mínimo permanece em US$ 7,25 por hora. No Paraná, apesar das deficiências concretas da rede pública, toda a população está inserida no Sistema Único de Saúde, baseado no acesso universal e gratuito.

O modelo texano também mostrou fragilidades de infraestrutura. Durante a tempestade de inverno de 2021, mais de 4,5 milhões de pessoas ficaram sem energia, algumas por quatro dias. O operador da rede determinou o corte de 20 mil megawatts para impedir o colapso do sistema, na maior interrupção controlada da história dos Estados Unidos.

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