A cúpula do PP rechaçou a possibilidade de liberar Tereza Cristina para disputar a Vice-Presidência na chapa de Flávio Bolsonaro. Dirigentes afirmam que a decisão de manter o partido neutro na eleição presidencial já está tomada e não demonstram disposição para reabrir a negociação com o PL.
O posicionamento impõe um novo revés à tentativa de Flávio de atrair o Centrão. Em reunião realizada na quarta-feira (29), seis dos oito integrantes da direção do Progressistas votaram pela neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto, segundo a coluna de Igor Gadelha, Carolina Nogueira e Gustavo Zucchi no Metrópoles.
A estratégia está ligada aos acordos regionais do partido e aos acenos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dirigentes avaliam que Lula não criaria obstáculos à tentativa de reeleição de Ciro Nogueira ao Senado pelo Piauí nem prejudicaria os interesses da sigla em outros estados considerados prioritários.
A resistência surgiu horas depois de Tereza Cristina indicar a aliados ter aceitado o convite de Flávio. A eventual composição, porém, sempre dependeu da aprovação do PP e da Federação União Progressista, formada com o União Brasil.
Em nota, a senadora adotou uma versão mais cautelosa. Tereza Cristina confirmou que se reuniu com Flávio na quarta-feira e discutiu pela primeira vez a vaga de vice, mas afirmou que nenhuma decisão havia sido tomada. “Qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais”, declarou.
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— Tereza Cristina (@TerezaCrisMS) July 30, 2026
Uma regra interna do PP também dificulta a manobra. Dirigentes lembram que a convocação de uma convenção partidária exigiria antecedência mínima de oito dias, enquanto o prazo da Justiça Eleitoral para a realização das convenções termina em 5 de agosto. Aliados de Flávio alegam que a norma interna poderia ser contornada.
A movimentação deixa Flávio novamente sem a garantia de um vice do Centrão. Mesmo que Tereza Cristina esteja disposta a conversar, a direção de seu partido continua fechando a porta para a aliança e priorizando uma neutralidade que preserva as pontes com Lula.