Flávio Bolsonaro reiterou nesta quinta-feira (30) que Jair Bolsonaro não sabia que sua imagem e sua voz seriam simuladas por inteligência artificial na convenção que lançou a candidatura presidencial do senador. Apesar da ausência de autorização prévia, ele afirmou que a campanha estudou a legislação eleitoral antes de exibir o material.
“É óbvio que o presidente Bolsonaro não tinha a menor ideia de que ia passar um vídeo de IA dele na nossa convenção”, declarou Flávio durante sua transmissão semanal. Em seguida, sustentou que “não tem absolutamente nada de errado” com a peça apresentada no sábado (25), no Pacaembu, em São Paulo.
O vídeo mostra uma versão sintética do ex-presidente pedindo apoio ao filho. Segundo Flávio, o aviso de que as imagens foram produzidas por inteligência artificial impediria qualquer tentativa de enganar o público. “Ele começa o vídeo dizendo: ‘Esse aqui não sou eu’”, afirmou.
Eleições 2026 – Candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro não sabia que seria exibido um vídeo feito com Inteligência Artificial com sua imagem na convenção do PL que oficializou o senador como presidenciável (veja… pic.twitter.com/UmDFNoI2JD
— g1 (@g1) July 31, 2026
A declaração coincide com a versão apresentada pela defesa de Jair Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Os advogados disseram que o ex-presidente não autorizou a produção nem o uso de sua imagem e não tinha conhecimento prévio da exibição.
A negativa deslocou para Flávio, para sua campanha e para o PL a responsabilidade pela criação e divulgação do conteúdo. Moraes já afirmou que o vídeo tem carga equivalente a um pedido explícito de voto e pode caracterizar propaganda eleitoral antecipada. O ministro enviou cópias do material ao procurador-geral eleitoral.
As regras do Tribunal Superior Eleitoral exigem que conteúdos produzidos ou alterados com inteligência artificial sejam identificados de maneira explícita, destacada e acessível. A Justiça Eleitoral ainda terá de decidir se o aviso incluído no vídeo é suficiente e se a simulação de um apoio não autorizado violou as normas sobre deepfake e propaganda eleitoral.
Flávio tratou o questionamento como uma tentativa de atingir sua candidatura e afirmou que a ação “não vai dar em nada”. Ele também disse ter se emocionado com a reprodução digital do pai, mesmo reconhecendo que Jair Bolsonaro não participou da produção e sequer sabia que o vídeo seria exibido.