O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (30) um acordo que prevê o desarmamento completo do Hamas e das demais facções armadas que atuam na Faixa de Gaza. Segundo o republicano, o entendimento representa um passo histórico para encerrar definitivamente o conflito na região e abrir caminho para uma nova administração palestina.
O Hamas confirmou a existência do acordo, de acordo com informações divulgadas pela agência AFP e pela emissora britânica BBC. Apesar do avanço nas negociações, autoridades israelenses afirmam que ainda analisam a proposta e dizem que alguns pontos continuam sem atender plenamente às exigências de Israel.
Plano prevê retirada gradual de Israel
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o processo será realizado em etapas. À medida que o Hamas entregar seu arsenal, as tropas israelenses deixarão gradualmente a Faixa de Gaza.
A segurança do território passará a ser exercida por uma força internacional de estabilização e por uma nova polícia palestina, enquanto um novo governo assumirá a administração local.
Segundo autoridades norte-americanas, a implementação do plano deverá começar nas próximas semanas em coordenação com Israel. O governo dos EUA também trabalha na formação de uma administração tecnocrática que substitua tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina na gestão do território.
Hamas confirma entendimento
Uma autoridade do Hamas afirmou à AFP que o processo de entrega das armas será supervisionado por um comitê responsável pela administração de Gaza.
Segundo a , o chamado Comitê Nacional será a única estrutura autorizada a manter, armazenar e controlar armamentos dentro da Faixa de Gaza após a conclusão do acordo.
O entendimento foi mediado com apoio do Egito, Catar e Turquia e integra o plano de paz apresentado por Trump em outubro de 2025.
Israel mantém exigências
Apesar do anúncio feito por Trump e da confirmação do Hamas, uma política israelense afirmou que o acordo ainda não contempla todas as condições impostas por Israel.
Segundo essa autoridade, o governo israelense continua exigindo o desarmamento integral do Hamas, incluindo a retirada de todas as armas da Faixa de Gaza e a completa desmilitarização do território antes da implementação definitiva do plano.
Conselho da Paz ganha protagonismo
Trump atribuiu o avanço das negociações ao chamado Conselho da Paz, iniciativa criada por seu governo para supervisionar a reconstrução e a estabilidade da Faixa de Gaza.
Lançado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, o organismo reúne países convidados pelos Estados Unidos e tem como objetivo coordenar ações voltadas à reconstrução do território palestino.
A estrutura, no entanto, recebeu críticas de parte da comunidade internacional por ser vista como uma alternativa à atuação da Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil chegou a ser convidado a integrar o conselho, mas condicionou sua participação à inclusão formal de representantes palestinos no processo.